quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DAS CONTRADIÇÕES - II


Morrer de lonjura,
vivendo tão perto.
O perto de ti,
que afoga em mim.
O longe de ti,
tão perto - te toma completo.
Afasta, então, do abraço, o perto
Do beijo virou nuvem.
Estrela interposta, no céu da boca.
Tu longe - naufrágio.
Tu perto - és ilha.
Não palpo, não sinto
Me foges da visão.
O que é isso que dizem: distância
Dois portos separados
E nada entre eles
Não entendo
Torna-se mar adentro.
Mar ardendo.

4 comentários:

Cristiano Melo disse...

Flavia,
percebi uma semelhança deste poema com o "Deixe ir", na questão dos contrapontos, que aliás é das possibilidades poéticas que mais admiro, além da labiríntica. Nele, eu me senti desafiado a compreender o que te move para perto e para longe de uma possível figura fictícia

"Morrer de lonjura,
vivendo tão perto."
...
"Não palpo, não sinto"

Gostei muito das duas construções.

beijos

Tatiana Kielberman disse...

Mar adentro...
Mar ardendo.

Linda comparação!!

Quantos e infinitos mares temos dentro de nós...

Beijos, querida!

Graça Carpes disse...

Todo... Maré.
Existe contradição maior que o vai- e-vem do mar?
Adorei!
:)

http://pulsarpoetico.zip.net

samuelvigiano disse...

Adorei essa contradição poética!!
Não sei nem o que dizer, apenas sei que quando alguém "concebe" uma coisa dessas, só pode estar possuída por uma sentimentalidade à flor da pele...

Pura poesia!!

Um beijo