domingo, 31 de outubro de 2010

BRINDEMOS


“Errar é humano”, não me engano.

E permito perdoar-me; não quero ser carrasco de mim mesmo.

Sou passível de dúvidas, de incertezas, de enganos...

Sim, sou refém de minhas vontades e paixões

Mas também sei acordar, na hora que preciso for

Mesmo querendo para sempre me perder

Nos braços dessa devastadora ilusão

Se me dessem a chave dos desejos

Poderia para sempre te viver

Ter teus beijos e teus abraços a me querer

Pensamento teu, me tomar conta

Ter minha vida em tuas mãos...

Mas não morro de sofrer, se não o for

Vida não é pra controlar

É preciso saber caminhar

Vou em frente, mesmo que sinta falta

Mesmo querendo te (re)conhecer

Saber-te mais do que foi possível no breve instante

Do dia que em ti esbarrei...

Um dia, uma semana, um ano

Tudo bem

Vamos ali, no bar

Bebemorar à vida ...


À amizade , ao laço fraterno


Da poesia que nos une


Da sede de sentir a imensidão das palavras


Vamos beber , sim, ao mundo ,


Às pessoas, ao eterno não saber.


Vamos fazer um brinde:


Brindemos a tudo que nos faz aprender.


Eu quero viver!


TIM-TIM!!!

( UM PARÊNTESE )


NÃO CONSIGO DEIXAR DE POSTAR ESSA MARAVILHA... OBRIGADA POR COMPARTILHAR, DU !


SARAH KANE - CRAVE ( ÂNSIA )


sábado, 30 de outubro de 2010

ENTRELINHAS



Não preciso ser direta
Em alguns textos que escrevo
Gosto tanto de incitar tua visão
De testar tua imaginação
Te fazer voar...
E eu,
Me entrego à poesia
Mas isso não significa que tenhas
Que me entender, me decifrar
Basta que leia nas entrelinhas
Minhas bem ( ou mau ) traçadas linhas
Duvido muito do que quero dizer
Às vezes me surpreendo com o final
Quando no início apenas quero cantar
E me vejo dançando e te chamando
Pra nos meus versos penetrar ...
Não te acanhes, venha
Vamos permitir nosso momento
De entrega às palavras, ao vento
Devaneios
Desajustes
Devassados
Desnorteados
Quero estar na janela do teu quarto
E à noite
Chegar junto com a lua
Nua e crua
Em teus sonhos adentrar
Vamos , vem comigo ...
Te levo pela mão rumo ao céu
Flutuando na imensidão
Pra cama macia das nuvens
Cantando em teus ouvidos
A canção que te enfeitiça
Como o canto da sereia
E da fada maldita
Minha voz assim :
Embriagada de desejo e de volúpia
Eis que o verso tomou-me as mãos
Tirou-me o senso (veja!)
Fez-me escrava,
E aqui me entrego ...
Tens o livre arbítrio de escolher
Em tua mente, em teu querer
O ápice destes versos embriagantes...
Te deixo interpretar
O que quiseres
O que vires e encaixares
O que tiveres vontade de palpar
E colocar em tuas mãos...
Te entrego agora, neste momento,
As delícias e as malícias
Contidas neste espaço
Nas macias curvas alvas
Das minhas suaves entrelinhas ...







quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O POETA SE CALA


Há tempos em que a palavra se esconde
Brincando com o poeta
Num ( in ) voluntário jogo de criança.
O paradeiro do verso é a estrada
Viajando pra reencontrar seu amor
A poesia que tanto sente falta.
Mas quando a poesia decide repousar
É como menina que precisa de colo
De uma canção de ninar
Pra descansar
Se acalmar
As mazelas apagar
E depois voltar revigorada
Saudável e corada
Água potável pra beber
Alimento pra alma aquecer
Pros braços fortalecer
Pro amor renascer
Das cinzas da solidão
Da imensidão da escuridão
Que o poeta se encontrava.

O silêncio muito que é necessário
Não há como negar
Pra que possa um simples ruído escutar
Um sussurro sentir
A respiração ofegar
O coração palpitar

Poeta, cala-te, se preciso for...
Porém volte logo
Tua ausência é sofrida
Sentida
Palpada
Tua falta é imensa
Não pense que não
A poesia te ama,
Poeta
E os versos habitam teu ser
Precisam de ti pra viver
E também pra morrer...

Então cala-te só um pouquinho
E volta de mansinho
Enche essa folha de sentimentos
De momentos
De lamentos
De contentamentos
Porque sem ti
O mundo perde a cor
A vida fica sem sentido
A flor nasce sem frescor
Volta, poeta, volta...
Pros braços do teu poema
Que de ti sobrevive
Cada vez mais tomado de amor
De paixão infinita
E de imenso querer.

OBS: Este texto foi inspirado pela bela poesia de Cristiano Siqueira : "Amor além dos poemas de amor(XX - o poeta está cansado)"
http://www.poetacristianosiqueira.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AQUELES MARES




Saudade daqueles mares tranquilos, serenos...
Daquela praia paradisíaca, daquela areia macia
Onde acariciávamos e aquecíamos os pés
Eu e tu: nossos, de corpo e alma...
Deixavá-mos pegadas pra trás,
E seguíamos juntos à frente...
Ao encontro dos nossos sonhos
Lembra-te daquelas pedras em que escalávamos
E, depois de muito andar, encontrávamos um recanto
As ondas beijando com força as pedras,
Eu feliz feito criança,
brincando de pular ondas
Os cabelos voando aos sabores do vento
Tu me olhavas, intenso ...
E olhavamos juntos pro céu azul...
Deitados sobre as pedras, sol quente na pele
Aquecendo o desejo ...
Gaivotas voavam no céu
Acenando pro nosso amor
Me lembro claramente da cena
Queríamos ficar naquele instante pra sempre
Paz ... céu ... sol .... amor ...
E, subitamente ...
Nada mais importava:
Beijos quentes, ardentes
Natureza aflorando nas veias
Braços e corpos entrelaçados
Respirações ofegantes, afagos...
Juntos voamos rumo ao prazer infinito
Daquele instante...
Momento marcante, daqueles que ficam
Pra sempre na memória
A nossa história
Guardada naquele lugar paradisíaco
E nos nossos corações
Aqueles mares
Nossos andares
Todos os prazeres
Em um só tempo
Mar....areia...vento
Beijos...sussurros...tormentos...
Eternizando
Na minha pele
Na tua boca
No nosso gozo
Completo deleite
Nunca esquecerei
Aqueles dias
E os luares
As maravilhas
D'Aqueles mares...

( lembranças... )

OBS: fotos - arquivo pessoal.




segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SOU DO VENTO


Não venha querer me prender
Nas amarras de tua verdade
Nas barreiras de tua vontade
Eu sou assim, não adianta
Tenho minhas verdades
Minhas incertezas
Minhas vontades
Não queira me ditar regras
Me impor condições
O verdadeiro amor nos faz livres
Pra voar e retornar ao ninho
Liberdade que falo é a que prende
Sem imposições, só ao amor
Essa é minha visão, meu jeito de ser
Não venha querer me prender!
Me entrego ao amor verdadeiro
Quando tiver a certeza e sentir
Mas tenho o meu tempo,
Meu relógio
Não me venha impor tua hora
Não sou do teu agora
Tenho minha liberdade pra escolher
Na hora que eu quiser
Assim como tu também.
Sou minha, sou do vento!
Sou do amor que me preencher
No momento e na hora certa
Não me venha com essas palavras
Do teu dicionário incompleto
Sou do jeito que sou:
Posso mudar de idéia
Na hora que precisar
Eu escrevo e falo o que penso e sinto
Não minto
Não peço perdão pelo que digo
Porque essa sou eu
Sou de verdade
Minha essência é sinceridade
Não me peça pra mudar quem eu sou.
Sigo a minha estrada
Se é a mesma tua,
Não sei.
Não lamento:
Sou de lua, sou da vida,
Sou do vento!




domingo, 24 de outubro de 2010

ELE QUE ME CARREGUE

E o que dizer do coração?
Eu tenho medo dele.
Ele tem vida própria.
Não me conhece mais.
Isso se um dia o fez...
Tanto faz.
Ele bate no ritmo dele.
To nem aí. To nem ali.
Tu tá aqui.

Tanto faz .
Eu to ali. Tu tá aqui.
Não. Tu tá lá.
Fazer o quê. É assim a vida.
Numa avenida, porém, tudo pode mudar.
E muda.
Desejo meu: mudar o teu.
O vento muda de direção.
As palavras entram no coração.
O beijo não sai da memória.
A vida que faz sua estória.
O olhar é de esperança . o meu.
O olhar é de distância. o teu.

Tudo bem. Tudo ruim. tanto faz.

Se a chuva esconder minha lágrima.
E o sol iluminar teu sorriso.
Me faz alegre te ver feliz.
Me deixa triste não saber.
O que fazer.
Mas tanto faz. ou muito faz.
Sem escolher, se vai.
A estrada segue.
Não há quem negue: desapego fere.

Mas a vida muda.

Ou nós mudamos.
Sempre.

Riachos mudam os caminhos.
Pássaros voam sem direção.
O coração é burro demais da conta.
Mas ele sabe como é.
Ou não.
Tanto faz. Sei lá.
O juízo é doido.

Foge da gente
Brinca de esconder.
Mesmo sem querer.
Não sei se um dia vou achar.
De novo, o tal juízo.
Deixa ele escondido.
Quero mais é ser feliz.
E te ver sorrir.
O coração é bicho safado.
Escorre do nosso querer.
Impalpável, assim como você.
O coração é burro.
E eu que o carregue.
Mas estou viva. E sinto.
Muito.
Agora deixo, então.
O coração que me carregue.

DEVANEIOS


ELA bebeu
ELE esqueceu
ELA viajou
ELE gargalhou
ELA maluca
ELE encanto
ELA poesia
ELE palavra
ELA dúvida
ELE certeza
ELA sonhando
ELE acordado
ELA ataque
ELE defesa
ELA bebida
ELE vida
ELA olhava
ELE falava
ELA pirada
ELE tranquilo
ELA chegou
ELE partiu
ELA dançou
ELE dormiu
ELA cega
ELE presente
ELA falou
ELE pensou
ELA redoma
ELE redemoinho
ELA pranto
ELE espanto
ELA paixão
ELE introspecção
ELA molhada
ELE seco
ELA choveu
ELE guarda-chuva
ELA desenhou
ELE apagou
ELA eternizou
ELE fumou.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A MENINA E O BALÃO - FÁBULA QUASE REAL







E sigo a menina.
A menina com o balão.
Ela leva, sem perceber, meu coração
Vai sorridente, cantando uma suave canção
Cantiga de roda, rodopia com sua saia
Com seu balão ( ele também sorri )
Vejo o caminho se abrir pra essa criança
O campo de girassóis, lindos , amarelos,
Entoando a mesma melodia da menina
O sol, no céu, acena e pisca
Ele segue a menina, os girassóis e o balão
Em frente, eles vão
Um girassol pergunta a outro: - como ela sabe onde ir,
assim, sozinha ? Não irá se perder ?
- Não, amigo, ela sabe ser guiada, escuta o coração,
responde o Girassol mais experiente.
De repente a menina encontra uma borboleta
Ela era toda colorida ( coisa mais linda!)
E pousou na mão da garotinha.
Elas sorriram uma pra outra,
Sabendo que estavam no rumo certo.
A borboleta então voou, acenou, e pro céu rumou.
Continuei seguindo-os: a menina e seu balão.
Ela andava , cantarolava, girava com sua saia lilás.
No meio do campo de girassóis.
Subitamente surge uma cena surreal:
A casa feita de chocolates e de doces ( igual à de João e Maria )
Apareceu no meio do caminho.
Mas a menina não se assustou: sabia que a bruxa não existia,
Só a casa e sua magia
Foi lá e deliciou-se....( a porta era o mais gostoso: chocolate branco )
E eu senti o gosto, através dela...
Depois seguiu adiante, com seu balão
Os girassóis abrindo passagem e deixando seu perfume
No céu azul, uma núvem surgiu
A menina olhou, olhou e tentou decifrar
A forma que a nuvem tinha: era um gatinho lindo!
E a nuvem miou para ela. Sorriram.
Sorrimos.
O campo de girassóis chegou ao fim
E ela, seu balão ( e eu, atrás... quietinha )
Seguimos na direção do barulho do mar.
Um cheirinho e uma brisa gostosos
Guiavam a menina e seu balão.
A suave brisa balançou seu cabelo, levantou sua saia ( ops!)
E ela segurou firme o amigo balao.
( eu ia atrás, maravilhada com tudo aquilo...eu ia ...)
Chegaram! O mar os saudava....
As lindas ondas azuis com cobertura de espuma branca
Chamou pra um rápido cumprimento.
E foram lá ( fomos....eu tbm ...)
Molhar os pés da garotinha....e de seu balão.
Sensação de liberdade, de alegria, essa maresia proporcionou
Agradeceu ao mar , ele retribuiu com uma onda de aceno
E seguiu em frente,
A menina e seu balão
Rumavam agora atrás de estrelas ( anoitecia, já.)
No final da praia, chegando numa estrada , encontrou um foguete (!!)
Quanta felicidade! Sorriram, sorrimos todos ( eu estava junto, não esqueçam )
Subiram no foguete vermelho rubi
E viajaram em direção à mais bela constelação
Olhando pela janela .... quanta estrela, meu Deus!
Como saber qual a mais bela ... não, eram todas belas, brilhantes e hipotizantes
A menina perguntou ao moço do foguete:
- podemos parar aqui , do lado das três Marias?
- claro, respondeu o piloto.
E desceram , a menina e o balão ( e eu, não me esqueçam ! )
Pra conversar com as três Marias
As estrelinhas contaram-lhes um segredo:
Estavam sempre observando a menina ( e seu balão )
A garota arregalou os olhos: - vocês conseguem me enxergar aqui de cima?
- Sim, todas as nossas crianças observamos.
Mais alegria , mais um rodopio , com sua saia lilás e seu balão...
Ela também, sempre acenava pras Marias, de casa.
Despediram-se: abraços apertados e olhos cintilantes, marejados ( pequeno instante triste )
Despedidas sempre são tristes.... mas as despedidas não são pra sempre!
São Atés Logos...
E a menina seguiu, com seu balão, pra encontrar-se com alguém mais que especial
Olhou pro lado: a luz era intensa, ela era imensa, ela era linda e sedutora.
A Lua era encantadora, como ela vira de longe.
Maravilhada, a criança seguiu, com seu balão, ao encontro da Lua de todos os sonhos
E lá, então, chegou: a Lua , emocionada, chorou...
Ao avistar a menina e seu balão: tão ternos, tão sonhadores, tão puros.
A garotinha se espantou!
Entregou seu lencinho ( ela sempre tinha tudo que era necessário )
Pra lua secar suas lágrimas. Lágrimas de emoção. Lágrimas de felicidade
E a menina, e o balão , e a Lua se abraçaram ( eu via tudo, de perto, como um sonho )
Abraçaram-se longa e ternamente.
Trocaram silêncios, que muito falavam, mais do que qualquer palavra.
Elas se amavam. Se admiravam.
Então conversaram horas a fio.... deram risadas, cantaram, pularam de alegria.
As horas passaram e a Lua lembrou-se ... tinha que ir embora.
Despediram-se ( sem tristezas, levariam-se pra sempre uma a outra... )
Voltaram pra Terra, a menina e o balão ( eu também!!! eu também!!! - eu acho...)
No Foguete de São João.
Chegando em casa, depois dessa longa e maravilhosa jornada
A menina e seu balão estavam cansados, felizes.
Chegaram no quarto com paredes verdes e cama com edredon vermelho
Na parede tinha um espelho..
Nesse espelho , a menina e seu balão se olharam
E viram alguém que sempre estava junto deles
A menina olhou em meus olhos .... os olhos eram os nossos
E ela me entregou o balão
E sorriu, sorrimos ...
Pra sempre levei a menina e o balão, dentro de mim ...
A menina foi , e sempre será, a minha menina, chamada Flávia.





















quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O TEU POEMA


Me pedes um poema
Pois bem:
Sem dúvida alguma
Te dou, com a mais pura alegria!
O que é uma poesia,
Se já tens meus pensamentos,
Meus sonhos
Meu corpo
Meu coração...
Se queres um poema
Te dou mais que isso
Minha vida, meu futuro , minha companhia
A passear de mãos dadas contigo
Nos caminhos que nos levam ao horizonte...
Te dou minha alma
Que me pede pra em teu colo aninhar–se
Em tua vida entrelaçar-se
Em teus olhos entregar-se...
Tens já tão mais que um poema,
Meu amor!
Tens meu presente
Tens meu futuro
Tens minha eternidade...
Escrevo assim
O que pede meu coração
Com o som de uma suave canção
Da sinfonia dos mais delicados passarinhos...
Ouve!
Escuta!
Eles cantam pra ti, meu amor!
Eles te mandam minha energia
Minha alegria
Meu coração,
Em forma da mais linda melodia
O concerto dos pardais
Ao amanhecer...
Quero estar, meu amor,
Para sempre ao teu lado
Coração com coração
Olhos nos olhos
Mão entrelaçadas
Pra juntos
Trilharmos o caminho
Que sempre sonhamos
Lado a lado...
Sou tua , sou nossa
Eis aqui minha poesia
Minha inspiração
Minha emoção
E meu coração.
Te amo, meu amado
Guarde pra sempre essa oração
Num lugar que só tu tens acesso
Que só tu pode adentrar
No cofre mais valioso
Que chave nenhuma pode destrancar...
Guarde no nosso coração
Que pulsa como um só
Que guarda segredos só nossos
Que guarda para sempre
O nosso futuro...

Com amor, Flávia


(esta foi uma carta...)





ANJOS DE QUATRO PATAS


O nome deles : Bono e Bianca
Meus anjos felinos de quatro patas
Amigos de todas as horas
Companheiros meus de sempre e a qualquer momento
Chego em casa: lá estão eles
Me aguardando com ansiedade
Me buscando na porta com vigor
Pra chegar ao lar que eles protegem
Espaço abençoado em que vivemos nós
Cheio de energia, luz, paz, harmonia
São gatos de pura magia
Me encantam mais e mais
A cada dia
Sei que os alimento pra viver,
Mas o alimento maior é o amor
Que trocamos sem cessar, sem limite
Afeto sem interesses, sem poréns
Sem as regras dos humanos
Amor incondicional , bilateral
Eles e eu .... eu e eles
Me aninho em seus pelos
Pra escutar a melodia
De seus suaves ronronares
Que acalmam minha alma
E acalentam meu coração
E quando brincam de correr
Seus passinhos no piso
Barulhinho gostoso
Que me faz sorrir
Depois voltam pra estar
Sempre aqui,
Pertinho de mim.
Cada um com seu jeitinho, seu temperamento
Me desarmam apenas com o olhar,
Com o som da respiração
Com o movimento delicado ao andar...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

BREVE INSTANTE


As melhores coisa da vida ocorrem
No intervalo de um instante
Como se o belo sentimento por elas causado
Precisasse ir-se brevemente
Para que sua sensação
Dessa súbita ausência necessitasse
Tornando-se assim um momento
Inigualável
Inabalável
Imensurável
Inatingível
Inesquecível...
Nem por isso ,
Esse sentimento tornar-se-ia
Um sofrimento
Ou lamento...
Porque assim é feita a Vida:
Dos sussuros momentânos dos ventos
Dos cânticos suaves dos pássaros
Das asas flutuantes de um beija-flor
Dos sorrisos gostosos de uma criança
Dos gozos intensos de uma paixão
De um mergulho no azul do mar
Que nos lava a alma
O mundo muda
No intervalo de um instante
Gira assim o universo
Como um brinquedo nas mãos de uma criança.
Um sorriso
Um lamento
Uma chuva
Um raio de sol
Um beijo roubado
Um olhar demorado
Um toque Divino
Do amor eterno
Um acorde de violino
Um gole do mais saboroso vinho
Uma porção de sorvete tão doce
O surgimento daquele arco-íris
Após a chuva passageira
O amanhecer nas telas do horizonte
O abraço acolhedor e especial
Tudo isso pode ocorrer
No intervalo de um breve instante
E fazer morada pra sempre
No coração de quem acolhe o amor.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

INTUIÇÃO

Minha inspiração muito vem
Através da intuição

Ela leva minha mão

Leva meus pensamentos
Levita minha alma
E quando retorno
Dessa viagem ao imaginário
Pouso no espaço em branco

Pra enchê-lo de cores

De palavras que muitas vezes são independentes

Se instalam na página
Como se nem me conhecessem

Ficam ali, sorridentes,

Me fazendo acreditar que suas vidas

De mim fazem parte

Da minha mente elas partem
Pra chegar além do alcance da visão
Atrás das montanhas, no fundo dos mares,

Percorrem estradas

Além da linha do horizonte...
Porque meus versos não se fixam
Não ficam parados

Num canto qualquer:

Eles nascem como pássaros
Prontos pra voar

E sem limites pra chegar
Partem à procura de belos olhos

Ávidos por lhes sugar
Em suas curvas viajar
Nas suas entrelinhas se aninhar

Pra como lhes convier interpretar...
Poemas são assim:

Seus significados estão

Nos olhos de quem os vê

No coração de quem os sente
Na mente de quem os imagina

Na pele de quem os palpa

Por isso muito necessitam da minha intuição
Daquele sussurro que vem do meu íntimo

Dos bosques da minha alma
Dos córregos das minhas veias
Da brisa que acaricia meus cabelos

Da flor que abriga meu coração
Da estrada que me leva pela mão.




domingo, 17 de outubro de 2010

MEU CADERNO


É que meus textos são breves, suaves.
Gosto de sussurrar nos ouvidos do meu caderno.
Escrevo com o peso de uma pluma.
Sabe assim: leve e certeiro, procuro o alvo.
O papel em que escrevo levita - essa é a cena que vislumbro.
Voa como uma pomba branca
À espera de palavras que o preencham de cor e de amor.
O caderno vira flor, vira borboleta, vira arco-íris.
Tudo que se puder imaginar
Lá vai estar...
Montanhas altas , mares azuis, céus estrelados
Meu caderno é imenso, é intenso e tudo comporta.
Abre sua porta
Entra nele como num filme encantado.
Uma fábula.
Usa a imaginação, que pra ela sobra espaço
no meu caderno...
Os braços dele são longos, muito podem alcançar,
no intervalo de um abraço
Seus ouvidos adoram músicas e vibram com estórias criativas.
E ele caminha, ele tem pernas, o meu caderno.
Quando está cansado, faz um beiçinho,
Entao o carrego como a uma criança...
Porque ele não me cansa!
Meu amigo e companheiro, de todas as horas.
De horas insone, de horas desperta
De horas e horas sonhando acordada.
Tudo isso ele abriga em suas folhas, com alegria.
Eu e meu caderno: amigos eternos.
E torno a escrever , quando abro suas páginas
Encho de versos, de ilusões, de paixões e de dissabores.
Porque também a decepção ele aceita.
Eu disse, a amizade é verdadeira: alegrias e tristezas compartilhamos.
Eu e meu caderno.







sábado, 16 de outubro de 2010

ESTRELA CADENTE


Costurando as estrelas cadentes ?
Porque daí, teus desejos ficariam pra sempre contigo.
Falando nisso, a estrela cadente me intriga.
Porque se joga assim, tão de repente , mesmo sabendo-se tão desejada ?
Ou será que ela nem sonha que é alvo
de tantos desejos, tantos murmúrios, tantos louvores?
Bom, pelo menos ela é linda e intensa e imensa, enquanto vive ...
E depois, pra onde ela vai ?
Viaja pra nossa imaginação, creio eu ...
Pelo menos pra minha ela vai ... linda ... brilhante
Realizar meus pedidos ...
E a estrela voa de coração em coração
De alma pra alma...
Escutando preces, pedidos, súplicas...
Imagino-a anotando cada um deles...
( espero que ela não seja esquecida, assim, como eu,
que não troque os desejos de ninguém... )
Depois se jogando em cada olhar que a espera.
Ela vive e morre toda vez...
E fico, então, preocupada
Com a pobre estrelinha cadente
Quão cansada deve estar nesse momento...nessa noite
De ser tão solicitada, tão desejada
Mas essa é sua missão
No céu e na Terra :
A de nos encher de esperança
Do sonho realizado nos buscar.




AMOR PLATÔNICO SE TRANSFORMA


Mas existe o amor platônico.
Que é amor solitário, amor de uma via, uma mão só.
É, então, amor verdadeiro ?
É verdadeiro porque é sentido, vivido.
Mesmo que seja em sonho, vem do peito, dá nó na garganta.
Não é o ideal. É unilateral.
Uma entrega, às vezes, fatal.
Bom mesmo é o amor dividido, sentimento repartido, de dupla via, que vem e que vai.
Que completa dois corações.

Dois corações completos, repletos, tornam-se um só.
Isso é o amor verdadeiro, de razão de viver.
De enlouquecer. De enternecer.
Voar com duas asas, em uma só direção, com uma só intenção: Viver de amor e de paz.
Sonhar o mesmo sonho, sem querer acordar,
e, no final, entender que acordados o mundo é ainda mais pleno e bonito.
É amor infinito.
Juntos a força se multiplica, o desejo se soma, o medo se divide , a tristeza se subtrai.
O Amor só eterniza.
Os caminhos encurtam, as vias se abrem, os mares acalmam, os ventos sussurram. Juntos.
A natureza agradece, ao amor: tudo floresce, tudo se colore, tudo se perfuma , se enche de vida.
E os céus nos dizem: Amem-se, humanos. Amantes, se entreguem. Deixem a lua guia-los, as estrelas iluminá-los, os anjos abençoar-lhes.
E então, os antigos amantes platônicos se encontraram.
E viveram a mais bela historia de encontro de corpo e alma, de sonho realizado.