quarta-feira, 29 de julho de 2009

O AMOR DO PONTO DE VISTA FILOSÓFICO


Neste texto , vou resumir alguns trechos muito interessantes de uma matéria da jornalista Talita Cícero sobre relacionamentos, entitulada "Não sabemos mais amar?", publicada na revista "Filosofia - Ciência e Vida".

Em meio a tantas crises existenciais, o homem contemporâneo esqueceu de sua maior virtude: o amor.

Existem várias definições nos dicionários para a palavra amor: sentimento que impele as pessoas para o que lhes afigura belo, digno ou grandioso / Afeição, grande amizade, ligação espiritual / Carinho / Desejo sexual...etc. Mas o que significa este sentimento no mundo das idéias filosóficas? O que é amor para o filósofo e qual o verdadeiro significado deste sentimento para a nossa vida?

Amar está além das aparências, do corpo e da beleza exterior. Amar, para alguns filósofos, é buscar o que nos falta. Acabar com a carência da alma, procurar inquietar o que tanto alardeia: o vazio do espírito humano. É um sentimento evoluído, que somente pessoas evoluídas conseguem senti-lo. Longe da visão romãntica que conhecemos, amar não é precisar do outro porque simplesmente aprecia a companhia. Amar é necessitar da presença do outro, pois as almas se completam e sozinho o mundo não tem sentido.

Professor da Universidade Católica de Santos e do Centro Universitário Monte Serrat e mestre em Lógica e Filosofia da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Fábio Cardoso Maimone, explica que, dentro dos temas da Filosofia, o amor é um dos mais importantes sentimentos. "Até mesmo na palavra Filosofia há relação com este sentimento: amor pela sabedoria. Sofia é sabedoria e Filia é um tipo de amor, que não é carnal, mas o amor da busca, do desejo; é o amor da inquietação". O amor de amigo.

Então, o filósofo, enquanto praticante da Filosofia, é aquele que inquietamente busca por algo, que não se conforma e procura saber sempre mais. Assim nasce a Filosofia. É o amor pela sabedoria entendido como um desejo equilibrado por procurar conhecer mais, citando Platão, em "O banquete". O pensador diz que o amor é a tônica do filósofo, que busca pelo conhecimento de uma maneira sensata, sem cair no desequilíbrio. "Pitágoras, que muito influenciou a obra de Platão, dizia que o perigo do amor está justamente na desmedida e no desequilíbrio", conta Maimone, acrescentando que a falta de harmonia em relação ao amor acontece quando a pessoa gosta mais do objeto de desejo do que o próprio desejar. "O que mata qualquer relação é quando a pessoa se dedica ao relacionamento em busca de uma posse. É o ciúme possessivo nos dias de hoje". dessa forma, o indivíduo não ama amar o outro, ele ama a "coisa outro". Isso não é amor, pois amor não é posse.

... o verdadeiro amor para os seres humanos também é um sentimento de busca pelo que nos falta, sendo que esta lacuna pode ser preenchida por diversos tipos de objeto. Emocionalmente, amar é buscar no outro um alguém que supra nossas carências afetivas e espirituais. O diretor da escola de Filosofia Nova Acrópole de Santos (SP), Marcelo Augusto de Oliveira ressalta que, no ponto de vista dos filósofos, o amor legítimo busca por uma complementação. "Expresso por Platão, é um sentimento da alma quando ela sente que perdeu sua condição divina.", explica.

Mas se o amor em si é um sentimento muitas vezes compreendido de maneira errônea pela sociedade, ainda mais mal interpretado é o ponto de vista da Platão a esse respeito. Para muito, amor platônico é aquele não alcançado, que fica apenas na vontade, longo do objeto de desejo, uma quimera. Oliveira explica que "na visão de Platão o verdadeiro é o amor da alma pelo conhecimento e pelo lado espiritual da vida, relacionado a uma lembrança. Segundo o pensador, o verdadeiro amor é um impulso de vida para a sabedoria e não necessariamente para uma pessoa".

"Do ponto de vista da Filosofia, o amor é uma força, uma energia, que se manifesta na alma como um sentimento de lembrança. De algo que a alma já teve, mas perdeu", destaca Oliveira, completando que o amor é uma espécie de carência nesse ponto de vista. Carência que não é representada por alguém chorando, mas sim pelo impulso de alguém que busca.

O professor Maimone também concorda que o amor platônico é mal interpretado atualmente. Contrariando o senso comum, que enxerga esse sentimento como algo sensível e intocável, "o amor platônico é aquele que não se fixa no transitório, no corpo, na matéria. Mas sim o que supera tudo isso". Assim que se fixa no corpo, confundimos o amor com paixão. Só que a paixão acaba, enquanto o amor é eterno.

Uma paixão acaba com a morte do corpo, já aquilo que você realmente aspira e deseja, que é a beleza na alma, sempre vai existir. Dessa forma, a idéia de que o amor platônico é o irrealizável não está certa; ele apenas pensa em alguma coisa que supera o mundo terreno. "É o impulso da alma rumo a algo que transcende esse plano, a coisa física, que é somente a paixão - um dos estágios do amor, mas não o amar em si mesmo", esclarece Maimone.

Outro julgamento errado é encarar o amor como um sentimento que fragiliza(...) Oliveira explica que, na realidade, "o verdadeiro amor é desenvolvido para que as pessoas vivam de uma maneira melhor, com justiça e amizades verdadeiras. É um sentimento possível somente para os fortes. Somente indivíduos com caráter formado, equilibrados, são os que realmente amam no sentido filosófico".

Muitas vezes o amor é interpretado como uma espécie de desejo, quando na Filosofia este anseio está mais relacionado à paixão. "Esse apego não nos leva à virtude" justifica Oliveira. Confundimos o desejo com a vontade. O desejo tem a ver com os apegos, um desejo passional pelas coisas. A vontade é uma força da alma, que nos impulsiona a agir de uma forma boa.

Na Filosofia o amor nunca é o objeto, como explica Maimone. O amor é a busca, e somente ama quem carece. Citando Platão, o filósofo diz que "o amor é um pulso ascencional da alma rumo à sabedoria". O amor é uma vontade de saber mais e não de ser mais.

O amor é um sentimento em relação à vida, de enxergar valores nas coisas além das aparências. É um sentimento idealístico, como uma visão espiritual da vida.

Amar no sentido filosófico do verbo não é impossível de se alcançar, mas sim um longo processo de aprendizado e evolução humana. "O grande problema é que vivemos num mundo que nos cria necessidades superficiais, as quais nos confundem diariamente" explica Oliveira. "Por isso os relacionamentos são tão difíceis; as pessoas não compartilham ideais, sonhos, pensamentos. É algo preso ao corpo, e não na alma", ressalta o filósofo, completando que nesses casos as diferenças de personalidades ficam muito grandes. Quando existem ideais comuns, as diferenças de personalidade continuam existindo, mas você tem algo mais forte que ajuda a superar.

Nesse sentido, nunca um relacionamento foi tão marcante quanto o casamento de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Ele, filósofo e literato, ela, literata e filósofa; os dois franceses. durante quarenta anos, o casal viveu um incompreendido casamento aberto, visto por ambos como um amor necessário. Conforme as palavras de Simone: "Entre nós, trata-se de um amor necessário: convém que conheçamos também amores contingentes". Inspirados por Aristóteles, Sartre e Simone seguiam à risca as teses das diferentes formas de amar, e seu relacionamento permanece até hoje como único. Acusado por marxistas e cristãos, de manipulador da população e ateu, respectivamente, Sartre responde às críticas em seu livro "O Existencialismo é um Humanismo", dizendo que o existencialista não crê na força da paixão e nem acedita que o amor é uma bela torrente devastadora. Maimone explica que de acordo com o filósofo nenhum sentimento pode ser uma desculpa para uma ação. Assim, não é tolerável matar por amor ou por ódio. Sartre acreditava que qualquer compromisso não estava em determinada religião, mas sim entre as pessoas. "O amor pra ele é o impulso que leva a agir, mas nunca desculpa para uma ação. Tudo o que o homem faz é resultado da escolha dele" esclarece Maimone. É impossível tentar fugir de uma escolha. E depois de escolhido, impossível de desfazer a ação. "Todo ato humano tem duas características: a imprevisibilidade e as irreversibilidades", sendo assim, Sartre optou pelo relacionamento aberto, pois acreditava que se houvesse uma aliança não seria com Deus, mas sim com os homens.

Na época, em uma sociedade cristã e com valores presos aos mandamentos da Igreja Católica Apostólica Romana, como era a sociedade francesa e européia, foi como uma bomba basear um relacionamento sério em duas pessoas e não na Igreja Católica.

"As pessoas, ainda hoje, mais talvez do que no século XX, confundem liberdade com libertinagem. O existencialista carrega a liberdade humana, mas responde por tudo aquilo que faz", critica Maimone, ressaltando ainda que "Na minha visão, o ser humano está muito preso à visão libertina. Quer fazer, mas não quer responder". Hoje, as pessoas falam em ficar, morar junto sem casar, mas, na opinião do professor, talvez o relacionamento não seja levado tão a sério em termos de responsabilidade quanto foi com Sartre. "Creio que atualmente as pessoas estão assumindo esse relacionamento aberto no sentido de libertinagem e não com a mesma seriedade e consciência de que esta é uma escolha que influencia na vida do outro".

Devido à complexidade deste sentimento, amar não é inato, ninguém nasce com a capacidade intensa e total de amar. É um processo gradativo. Dentro de sua crença realista e aristotélica, Fabio Marmone diz: "Se em cada momento da vida desejo coisas diferentes, então o amor é um processo gradual que pode ser evolutivo, ou que, de repente, você desaprende", conclui o professor, e ainda ressalta "não acredito que a pessoa já nasça acabada, pronta para amar. Acho que é um processo, que vamos aprender por esforço, exercício e repetição".
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sábado, 25 de julho de 2009

LUA ADVERSA



Lua adversa

Tenho fases, como a lua.

Fases de andar escondida, fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm no secreto calendário

Que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso.

E roda a melancolia seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu

Não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia , o outro desapareceu...


Cecília Meireles




Hoje resolvi transcrever aqui este belo poema de Cecília Meireles, com o qual tanto me identifico.

No post anterior, inclusive, citei um verso deste poema.

Não estou muito inspirada para escrever mais ; conto, portanto, com Cecília para me fazer expressar...



Um grande beijo!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

SERES MUTÁVEIS


Hoje quero falar aqui sobre os ciclos da vida, e sobre os nossos ciclos internos, como pessoas - seres HUMANOS , aqueles que se permitem ter fases (" ... tenho fases , como a lua ..." ) , assim como eu me permito. Porque a graça da vida está na arte de saber mudar, evoluir, retroceder, ir em frente novamente. A vida não deve ser vivida em linha RETA, "perfeita" , mas em curvas, voltas, reviravoltas ... Tão bom aprender um pouco a cada dia. Crescer um pouco a cada dia. Amadurecer como um fruto que a cada amanhecer fica mais precioso. Porque o crescimento faz parte dessas mutações. Como é bom poder concordar, discordar, voltar atrás, acertar, errar, aceitar, pedir desculpas, perdoar...Cada dia que passa acredito mais que NADA na vida é eterno, NADA é impossível, NADA é infalível. TUDO é passível de mudança. TUDO que é VIVO. Me permito, sim, mudar de idéia quando já não fizerem mais sentido as minhas crenças. Citando o fabuloso filósofo Nietzsche : " Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.” Saber lidar com as imperfeições, tão humanas que são, é saber realmente viver e se permitir crescer. Porque só quem tem a humildade de saber não saber , saber perguntar, saber não envergonhar-se de admitir não saber, só este que realmente chegará ao SABER. A vida é uma eterna BUSCA. Enquanto estamos em busca de algo, qualquer coisa que seja, estamos realmente VIVOS.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

EM PROSA E VERSO


Ok, ok. Somos todos cheios de lacunas e de pontos de interrogação. Mas aí é que está a grande graça da vida. A cada dia vamos preenchendo os espaços, colorindo as telas.

Prefiro as surpresas do desconhecido. Ao mesmo tempo que este me dá um medo, um friozinho na barriga, me enche de vida. Me alegra saber que a vivência se faz ao adentrar os caminhos. Ao fazermos escolhas. Sempre seguindo em frente. E sem medo de errar, pois não existe o certo e o errado. O que existe é a coerência de seguirmos nossos propósitos e nossas crenças.

O que existe é a vontade de acertar nosso próprio caminho, aquele que nos levará à razão do SER. Devemos SER, não somente EXISTIR.

O propósito de nossa existência é a busca incessante da felicidade: pessoal, espiritual, plena. Minha maior meta é essa. Aos poucos, vou aprendendo, sim, a VIVER.

E quero viver assim: em PROSA e VERSO!
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EM BREVE...


Em breve começarei a jogar algumas palavras ao vento!

Sinto que o momento está chegando. Aquela vontade de escrever coisas que vêm sabe-se lá de onde.
E vão pra não sei que lugar.

Mas sei que irão com a brisa , do mar, das palmeiras, das montanhas.

Já já estarei por aqui.

E sem máscara!! hehehe
Um beijo e até breve!