quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BROTANDO VERSOS


Mesmo que a chuva falte, que o sol se esconda,
que o vento cale, o verso não morre.
Esgotando-se a seiva, busca-se o alimento
na umidade dessa terra fértil das idéias.
Brotando versos.
Do barro e da lama vê-se finas raízes se infiltrando
pra deixar nascer a árvore da palavra.
Nasce crua, nua. O poeta faz o polimento.

Vai polinizando sonhos, pra colher poemas macios
.
E o poeta se deixa enraizar no solo fértil da mãe natureza da imaginação.
Cresce, floresce, perfuma, encanta, acarinha. Se faz amar.
Cerca-se de todo o olhar. Todo o sentimento.
Um dia cai folha seca, ao chão. Adormece.
Nunca morre.

A cada estação interior, se renova e renasce.
Quando a planta surge da terra macia,
vai recebendo e distribuindo olhares de amor.
E assim a poesia se enfeita, veste pétalas e irradia seu perfume.
Vira um jardim de versos, em plena primavera.
E mesmo no mais árido e desértico solo, há de surgir uma bela flor.
Porque a semente da imaginação invade a alma do artista.
Em busca de um ambiente propício pra germinar.
Seguindo seu destino, fechando o ciclo, chega direto ao coração.
De quem ama seus versos, suas letras e suas raízes.
No inverno, no verão no outono ou na primavera.
Na primavera de qualquer estação.