quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ciranda




E na roda gigante que é a vida podes me segurar um pouco mais lá em cima?

troco uma dúvida por um algodão doce uma dívida por uma maçã do amor Ah, Senhor só quero me divertir antes do sol se pôr...

Nesta ciranda
prometo me comportar
vamos brincando
de esquecer problemas
e escrever poemas
até o sol raiar.

Dúvidas






O que tem que ir

que se vá
sem receio
de deixar
o que tem 
pra ficar

Como discernir
o que fica
do que tem
que partir?

Ir, ficar
Existência, lugar
tanto faz
o que importa
é amar

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Imortais



No mausoléu 
dos imortais
o que jaz
é a vida

tantas estórias
personagens
imagens
muitos inícios
incontáveis
fins

São 'Arianos'
'Rubems' 
'Joãos' 
infinitos em três
onde um ser 
aloja multidões

O que vai
se confunde
com o que fica
a obra 
a vida
que é 
o próprio
artista








quarta-feira, 16 de julho de 2014

Começo do fim




a poesia
moradia das tristezas
penhasco das desilusões
desértico solo
rochosa agonia
ilha dos náufragos
carente de maresia

poeta doente
morre a cada dia
ao ver-se distanciar
da origem de sua fonte
o amor que lhe escapa
da linha do horizonte
a nescente outrora roubada
várzea dormente

coração já demente
convalescente
nada mais sente
os versos lhe afagam
para consolo 
 numa morte 
iminente
sem dolo 
apenas silente


terça-feira, 8 de julho de 2014

Sem direção



queria escrever-te
 algumas palavras.
mas tudo o que me resta
 é o silêncio.
aqui, nesta mala.
o silêncio desta estrada,
vazia.
que segue em frente.
sem rumo.
o horizonte, 
obscuro.
a chegada,
inexistente.
o destino
sem direção.
o futuro
que ficou
perdido 
naquela estação.
a viagem
que encerrou
antes mesmo
do início.
ponto de partida
indefinido.
e chegada
sem solução.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Encontro







Em que esquina desta estrada 
tua vida e meus sonhos
finalmente 
se esbarram?
No calor dos nossos beijos, 
 na comunhão de nossas mãos. 
No sentimento
de sempre termos
um ao outro pertencido
sem tampouco perceber.
Alma, corpo, coração
sensação
de paz completa
e, ao mesmo tempo,
uma enorme revolução.
Um maremoto,
um furacão
amor
revestido
de pura paixão.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Das interpretações






Ler
 um poema 
é como 
encontrar 
uma garrafa
 há muito 
esquecida 
no mar: 
alguns encontram 
uma bela carta.
 outros, 
preciosos tesouros.
  poucos 
a encontram vazia,
e, ainda, 
existem 
aqueles que 
a ignoram...



quarta-feira, 14 de maio de 2014

Duelo com o silêncio








Minhas palavras 
se confundem 
com meu silêncio
no constante duelo
que travo na mente
displicente
simplesmente
inconsciente

É preciso 
calar
rapidamente
este silêncio
demente


Ouves?
Sentes?
porque esse silêncio
incontrolável
nunca cala,
numa luta
iminente:
culpado
ou inocente?




terça-feira, 13 de maio de 2014

Ausência






cadê você
que só existe
onde não estou?

num lugar inexistente
que permanece,
insistente,
em minha mente

ausente
seu olhar
que sinto aqui,
onipresente


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sem tradução










que contradição essa
de estar sempre com pressa
e, lentamente,
por entre os dedos,
me deixar escapar


em geral, 
não me passo à limpo
me concluo sem revisão
mas às vezes
tamanha é a confusão
que me edito
e contradigo


impulso
impaciência
intuição
coração
o que me define
não tem tradução

terça-feira, 8 de abril de 2014

A viagem






Nesse vagão que eu entrei
tão difícil te encontrar
como se eu viajasse na terra
e tu flutuasse no ar...

Nos trilhos dessa jornada
tantas vezes me perdi
sem saber pra onde ia
tampouco a hora de partir

Passageiros aloprados
reféns das correntezas
fui buscar o que nem sei
enquanto voltavas com razas certezas

Se vou pelos ares,
pelos mares,
 pelos trilhos
tanto faz:
o que busco está oculto -
está bem ali -
em nenhum lugar







domingo, 19 de janeiro de 2014

Imensidão







Nem sei mais
se hoje te escrevo
para que me leias
ou para que traduzas

Se tudo tem só uma origem
se os versos se fundem 
em um só
somos como um espelho
que a si mesmo reflete
o Criador 
que se vê
imerso na criação

Talvez, então,
não haja tradução
não haja interpretação:
sem solução!

Mas eis a graça
da poesia
da vida 
do amor:
não caber 
em uma definição
não limitar-se
a si mesmo,
conter 
a imensidão.






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poeta ou Poesia?






Ei, escuta!

não sou eu quem escreve: as palavras que me lêem os versos me traduzem a poesia me compõe.

a caneta toma forma
dos meus dedos
o papel, da minha pele
a tinta me toma o sangue.

a tatuagem em meu dorso
os pássaros voando
o amor pousando
agora já sei:
sozinha se fez!

o que sou não importa
quantas sou já nem sei
quero entender
algum dia
porque assim me tornei

os risos
as lágrimas
os medos

a paixão
o tesão
e a ilusão

os gritos
os cantos
os silêncios

tudo em mim
se formou
me invadiu
sem aviso
sem pedido
sem perdão

tudo o que sou
toda poesia
toda prosa
toda dúvida
toda tristeza
toda alegria
toda leveza

eis-me a divagar
de onde surgi
quem é o poeta
o poema
o verso
a me criar


porque o que escrevo,
na verdade,
escreve em mim...

( ora, ora,
quanta pretensão!)






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Insensatez






se a saudade 
não existisse, 
eu a inventaria. 
a saudade me contém: 
não vivo sem.

sentimento me domina
tira minha lucidez
se um dia fui capaz
de ofuscar o coração
 isso hoje não tem vez


se sofro
se vibro
se sorrio
ou se lamento
tudo faz parte
tudo sou eu
e minha
inseparável
insensatez

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sonho que não dorme










na calada da noite, 
o silêncio gritava em seus ouvidos.
 o barulho estrondoso de seus pensamentos
 poderia acordar a cidade inteira.

fechou os olhos
respirou fundo
e lá se foi.
abriu a janela de seu quarto,
assustada.

ninguém nas ruas.
vento soprando
 folhas voando
pegadas apagadas
vultos que já se foram.

brisa em seus cabelos
olhos de anil
queria voltar a sonhar
como um dia o fizera.
sonhos tão felizes
que hoje alguém roubara.

fechou a janela
a lua veio com ela
deitar em seu consolo
acarinhar a solidão
acalmar o coração

calar o pensamento
esquecer o sonho
sentir o vento
voltar a dormir.

a janela fechara.
e a vida seguira.
sim, assim mesmo, 
ela ia.





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Liberdade







uma dia ainda vou voltar 
a escrever como criança.
com clareza 
e sem reticências...
sem intenções
sem segredos
sem muros 
sem grades
ou cadeados.
com liberdade
e sem busca por chaves
ou lutas desenfreadas
contra os meus eus.
quero ler minhas brincadeiras 
meus jogos
minhas gargalhadas 
desmedidas
sem podas 
sem censuras
sem limites
só com a vontade
de me atirar ao vento
voar 
e um dia, 
quem sabe,
voltar.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Palavras






escrevo coisas que me servem.
 se cabem em ti, que bom. 
as palavras são do tamanho de quem as lê.

gosto de vestir as letras.
acomodar as palavras.
calçar os poemas.

vou despida de vaidades
munida de sentimentos,
muitas vezes
indecifráveis.

se me servem, ainda,
já nem sei.

o que importa
é a sensação que,
ao roçar meu corpo,
deixaram em minha pele.

as palavras me vestem
e também me despem...



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A poesia silencia





quando o grito sufoca 
e a palavra aperta. 
dentro, aprisionado, o verso.


não se reconhece verso.
desconversa.
sai de mansinho..
e a poesia vai dormir.


sem saber se acordará
sem saber, somente
silencia, somente.


Não procura 
entender
ser compreendida
ter final
ou ponto de partida.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Certas Incertezas






Como pode haver
algo pior que 
a pior coisa que existe?
Isso tem limite?
O concreto existe?

O diabo quer me seduzir
Me levar pras raias
do além 
( que loucura )

das curvas da estrada
rumo à escuridão.
Mas escapo de sua mão.
 ( ou não... )

O proibido é
 sedutor
amedrontador
encantador

E nada pode ser pior
que viver sem
incertezas
sem arriscar
sem questionar


a razão do existir
o deus e o diabo
o sim e o não
a culpa e o perdão


seria isso
carinho do destino
ou castigo do ocaso?















quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Sentimento Poesia




Quando o sentimento
precisa de asas para voar,
ele se faz poesia...


E os versos aterrissam
nas alvas folhas
da imaginação
ao encontro da alma
invadindo o coração

Sedentos de paixão
de beijos
de afagos
desejando a tua mão...

E o amor-poesia nasce
cresce
amadurece
e, impetuoso,
se transforma 
e, a cada dia
com frescor floresce.