terça-feira, 8 de abril de 2014

A viagem






Nesse vagão que eu entrei
tão difícil te encontrar
como se eu viajasse na terra
e tu flutuasse no ar...

Nos trilhos dessa jornada
tantas vezes me perdi
sem saber pra onde ia
tampouco a hora de partir

Passageiros aloprados
reféns das correntezas
fui buscar o que nem sei
enquanto voltavas com razas certezas

Se vou pelos ares,
pelos mares,
 pelos trilhos
tanto faz:
o que busco está oculto -
está bem ali -
em nenhum lugar







domingo, 19 de janeiro de 2014

Imensidão







Nem sei mais
se hoje te escrevo
para que me leias
ou para que traduzas

Se tudo tem só uma origem
se os versos se fundem 
em um só
somos como um espelho
que a si mesmo reflete
o Criador 
que se vê
imerso na criação

Talvez, então,
não haja tradução
não haja interpretação:
sem solução!

Mas eis a graça
da poesia
da vida 
do amor:
não caber 
em uma definição
não limitar-se
a si mesmo,
conter 
a imensidão.






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poeta ou Poesia?






Ei, escuta!

não sou eu quem escreve: as palavras que me lêem os versos me traduzem a poesia me compõe.

a caneta toma forma
dos meus dedos
o papel, da minha pele
a tinta me toma o sangue.

a tatuagem em meu dorso
os pássaros voando
o amor pousando
agora já sei:
sozinha se fez!

o que sou não importa
quantas sou já nem sei
quero entender
algum dia
porque assim me tornei

os risos
as lágrimas
os medos

a paixão
o tesão
e a ilusão

os gritos
os cantos
os silêncios

tudo em mim
se formou
me invadiu
sem aviso
sem pedido
sem perdão

tudo o que sou
toda poesia
toda prosa
toda dúvida
toda tristeza
toda alegria
toda leveza

eis-me a divagar
de onde surgi
quem é o poeta
o poema
o verso
a me criar


porque o que escrevo,
na verdade,
escreve em mim...

( ora, ora,
quanta pretensão!)






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Insensatez






se a saudade 
não existisse, 
eu a inventaria. 
a saudade me contém: 
não vivo sem.

sentimento me domina
tira minha lucidez
se um dia fui capaz
de ofuscar o coração
 isso hoje não tem vez


se sofro
se vibro
se sorrio
ou se lamento
tudo faz parte
tudo sou eu
e minha
inseparável
insensatez

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sonho que não dorme










na calada da noite, 
o silêncio gritava em seus ouvidos.
 o barulho estrondoso de seus pensamentos
 poderia acordar a cidade inteira.

fechou os olhos
respirou fundo
e lá se foi.
abriu a janela de seu quarto,
assustada.

ninguém nas ruas.
vento soprando
 folhas voando
pegadas apagadas
vultos que já se foram.

brisa em seus cabelos
olhos de anil
queria voltar a sonhar
como um dia o fizera.
sonhos tão felizes
que hoje alguém roubara.

fechou a janela
a lua veio com ela
deitar em seu consolo
acarinhar a solidão
acalmar o coração

calar o pensamento
esquecer o sonho
sentir o vento
voltar a dormir.

a janela fechara.
e a vida seguira.
sim, assim mesmo, 
ela ia.





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Liberdade







uma dia ainda vou voltar 
a escrever como criança.
com clareza 
e sem reticências...
sem intenções
sem segredos
sem muros 
sem grades
ou cadeados.
com liberdade
e sem busca por chaves
ou lutas desenfreadas
contra os meus eus.
quero ler minhas brincadeiras 
meus jogos
minhas gargalhadas 
desmedidas
sem podas 
sem censuras
sem limites
só com a vontade
de me atirar ao vento
voar 
e um dia, 
quem sabe,
voltar.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Palavras






escrevo coisas que me servem.
 se em ti também cabem, que bom. 
as palavras são do tamanho de quem as lê.

gosto de vestir as letras.
acomodar as palavras.
calçar os poemas.

vou despida de vaidades
munida de sentimentos,
muitas vezes
indecifráveis.

se me servem, ainda,
já nem sei.

o que importa
é a sensação que,
ao roçar meu corpo,
deixaram em minha pele.

as palavras me vestem
e também me despem...



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A poesia silencia





quando o grito sufoca 
e a palavra aperta. 
dentro, aprisionado, o verso.


não se reconhece verso.
desconversa.
sai de mansinho..
e a poesia vai dormir.


sem saber se acordará
sem saber, somente
silencia, somente.


Não procura 
entender
ser compreendida
ter final
ou ponto de partida.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Certas Incertezas






Como pode haver
algo pior que 
a pior coisa que existe?
Isso tem limite?
O concreto existe?

O diabo quer me seduzir
Me levar pras raias
do além 
( que loucura )

das curvas da estrada
rumo à escuridão.
Mas escapo de sua mão.
 ( ou não... )

O proibido é
 sedutor
amedrontador
encantador

E nada pode ser pior
que viver sem
incertezas
sem arriscar
sem questionar


a razão do existir
o deus e o diabo
o sim e o não
a culpa e o perdão


seria isso
carinho do destino
ou castigo do ocaso?















quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Sentimento Poesia




Quando o sentimento
precisa de asas para voar,
ele se faz poesia...


E os versos aterrissam
nas alvas folhas
da imaginação
ao encontro da alma
invadindo o coração

Sedentos de paixão
de beijos
de afagos
desejando a tua mão...

E o amor-poesia nasce
cresce
amadurece
e, impetuoso,
se transforma 
e, a cada dia
com frescor floresce.




segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Loucuras do coração





numa rua
numa esquina
numa mesa de bar
até mesmo
 no (ex) muro (de Berlim)
ou num beco do Bom fim
um beijo dividido
pode um dia
jamais 
ser esquecido 

memória que furta 
o direito à razão
o corpo lembra mesmo
é do calor 
da emoção

o abraço apertado
o brilho no olhar
saliva no sorriso
entorpecido 
de amar






domingo, 22 de dezembro de 2013

Amor Silencioso




Existiu um amor
tão intenso,
tão imenso, 
que silenciou...

que sentiu a força
das ondas do mar-
e o oceano inteiro
parou...

A natureza cabia 
no peito
vendaval 
sem sufocar 
só fazia germinar...


Até que
levitou coração ao vento
e naquele momento,
 o amor calou...




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Liberdade às Letras





costumava tecer versos
traçar linhas 
sem direção

o fim antes do começo
desordem na imaginação

poesia deve ser livre
pouco importa
rima
estrofe
refrão

o desejo é despertar
sentidos
sonhos
sensações

esquecer as regras da escrita
ser leve
ser solto
na vida

dar um basta à escravidão
fazer escoar a loucura
dar vazão 
à emoção

caminhar 
com as próprias pernas
escrever com o coração








quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Desencontros




aquilo que sempre termina

antes mesmo de começar

 o avesso daquela vida 

eterno titubear



caminhos (des)cruzados

futuro sem destino

presente que se foi

passado imperativo


inverso do verso

oposta direção

poesia apagada

sem chegar à tua mão


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Esperança







Lá dentro ocultava um brado.
Um clamor sufocado,
 silenciado,
buscando forças.
Precisava libertá-lo
...


Fazer chover as gotas
aprisionadas em seus olhos.
Aliviar a tensão
que a vida depositava
em seu corpo.
...

Transformar a dor, 
que carregava na alma,
em asas de borboletas
leves
flutuantes
...

Deixar a suave música 
ir de encontro à alma,
num recital de paz
harmonia
tranquilidade
...

A busca é infinita,
constante.
a lua é testemunha
e companheira
das noites incessantes.
....

Mas sonhos se insinuam.
Promessas de mudanças
no rumo do caminhar.
No brilho daquele olhar.
Sorriso que vai brotar.











sábado, 14 de dezembro de 2013

Poesia que Liberta










Me visto de silêncios 

E me desnudo em versos

Poesia estampada na pele
Tatuagem que habita a alma

Liberdade expressa em letras

Sou refém dessa magia

Prisão que me sacia

Poema que contagia


Palavras providas de asas

Voando ao som do coração

Suave canção da vida

O pulsar da imaginação