quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O POETA SE CALA


Há tempos em que a palavra se esconde
Brincando com o poeta
Num ( in ) voluntário jogo de criança.
O paradeiro do verso é a estrada
Viajando pra reencontrar seu amor
A poesia que tanto sente falta.
Mas quando a poesia decide repousar
É como menina que precisa de colo
De uma canção de ninar
Pra descansar
Se acalmar
As mazelas apagar
E depois voltar revigorada
Saudável e corada
Água potável pra beber
Alimento pra alma aquecer
Pros braços fortalecer
Pro amor renascer
Das cinzas da solidão
Da imensidão da escuridão
Que o poeta se encontrava.

O silêncio muito que é necessário
Não há como negar
Pra que possa um simples ruído escutar
Um sussurro sentir
A respiração ofegar
O coração palpitar

Poeta, cala-te, se preciso for...
Porém volte logo
Tua ausência é sofrida
Sentida
Palpada
Tua falta é imensa
Não pense que não
A poesia te ama,
Poeta
E os versos habitam teu ser
Precisam de ti pra viver
E também pra morrer...

Então cala-te só um pouquinho
E volta de mansinho
Enche essa folha de sentimentos
De momentos
De lamentos
De contentamentos
Porque sem ti
O mundo perde a cor
A vida fica sem sentido
A flor nasce sem frescor
Volta, poeta, volta...
Pros braços do teu poema
Que de ti sobrevive
Cada vez mais tomado de amor
De paixão infinita
E de imenso querer.

OBS: Este texto foi inspirado pela bela poesia de Cristiano Siqueira : "Amor além dos poemas de amor(XX - o poeta está cansado)"
http://www.poetacristianosiqueira.blogspot.com/

7 comentários:

Cristiano Melo disse...

Flávia,
Não há segurança, nada em que segurar, quando o carrinho na montanha-russa(brasileira-mundana) da vida começa a rodar. Não há freios, nem cinto de segurança, só o respirar!
Seu poema, de agora, é como esse sobe e desce no "brinquedo" metafórico, a poesia nem sempre é algo belo, escrita num momento de arroubo apaixonado. E você explora bem, neste poema, a poesia em sua nudez.

Parabéns pelo trabalho

beijos

Bruna disse...

A poeta e sua relação com a poesia... E relação envolve silêncio também. Aliás, acho que compreender silêncios é o ápice de uma relação. Seja com a pessoa amada, seja com a poesia... Amada. E você sabe, Flavinha. Sua relação com as palavras me parece muito verdadeira, guria! E é linda... :)

Beijos!

Du disse...

Putz Flavinha, eu sou "fãnzassa" do Cris, tu viu os fragmentos que fiz dele no blog? Bah guria, o cara é demais e teu poema pra variar, ficou lindão!!

Vou deixar aqui o link dos fragmentos pra quem ainda não viu, tá?

Fragmentos de Cristiano Siqueira - @cris_siqueira

Beijos, minha linda poet'amiga!

Flávia Braun disse...

Vou ler , com certeza, Du!
Tbm sou super fã do Cristiano ( espero que ele não se importe de tê-lo citado aqui. Acho que não, pois ele é um doce de pessoa. )
Beijosss

Tatiana Kielberman disse...

Querida Flavinha,

Sei o quanto, às vezes, precisamos de silêncio, mas a grande verdade é que o poeta nunca se cala...

Ele faz espaçamentos, reflete, pausa, muda...

Mas seu interior nunca se mantém calado!

Beijos, amei demais!

... disse...

Flavinha,

Eis que sinto teus sentimentos... Parabéns pelo poema. E obrigados! ;)

Beijíssimo,

Cristiano Siqueira.

Flávia Braun disse...

Encantada por te ver aqui, poeta!
Meus sentimentos chegam até vc, de braços dados com seus versos!
Beijinhos, Cristiano!