
Vou ao teu encontro: não estás
Chegas quando já fui
Vida vai quando me perdi
Me encontro na alameda obscura
Onde nada se vê
Enxergo, súbito, tudo
Na escuridão da tua ausência
O sol escurece, a lua aquece
A água seca, o som cala
O espelho esconde a imagem
Que não vejo de mim
Não me encontro em lugar nenhum
Quando só o que quero é fugir
Horizonte logo aqui
O próximo passo vai pra trás
Voo de cabeça pra baixo
Pássaro inverso
No verso
Quer viver de gaiola
Amarra todo o meu corpo
Nas entranhas da tua boca
E o grito que calo
Dentro ecoa e me ensurdece
E o silêncio que me habita
Faz explosão estrondosa
O viés das vias das linhas da vida
Morte de mim aos poucos aqui
Me carrega nos braços gélidos
E sinto-me aquecida de súbito
Ruas de concreto, caminho nas nuvens
Vejo de cima o mundo azul
Aqui é paz.
É viés.
Enviesada na minha teia de areia
Enraizada na tua saliva maldita
Quero viver de morrer em ti
Hora de virar, revirar , transpassar, reverter
O viés que me trouxe até aqui
Onde nem imagino estar
Lugar que me guarda como um segredo
A sete e centas chaves.

















