Versos Que Não Fiz

sábado, 13 de novembro de 2010

VIÉS


Vou ao teu encontro: não estás
Chegas quando já fui
Vida vai quando me perdi
Me encontro na alameda obscura
Onde nada se vê
Enxergo, súbito, tudo
Na escuridão da tua ausência
O sol escurece, a lua aquece
A água seca, o som cala
O espelho esconde a imagem
Que não vejo de mim
Não me encontro em lugar nenhum
Quando só o que quero é fugir
Horizonte logo aqui
O próximo passo vai pra trás
Voo de cabeça pra baixo
Pássaro inverso
No verso
Quer viver de gaiola
Amarra todo o meu corpo
Nas entranhas da tua boca
E o grito que calo
Dentro ecoa e me ensurdece
E o silêncio que me habita
Faz explosão estrondosa
O viés das vias das linhas da vida
Morte de mim aos poucos aqui
Me carrega nos braços gélidos
E sinto-me aquecida de súbito
Ruas de concreto, caminho nas nuvens
Vejo de cima o mundo azul
Aqui é paz.
É viés.
Enviesada na minha teia de areia
Enraizada na tua saliva maldita
Quero viver de morrer em ti

Hora de virar, revirar , transpassar, reverter
O viés que me trouxe até aqui
Onde nem imagino estar
Lugar que me guarda como um segredo
A sete e centas chaves.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

LABIRINTO


Te convido a entrar no labirinto de letras
De poema que lês
Cada um pode ( e deve ) interpretá-lo
da maneira que quiser
Assim são as poesias...
Que graça tem não te pôr a divagar ?
Nem pensar!
Em meus versos cabe muito de ti
Entra, e te perde ...
Pra depois quem sabe achar a saída
Labirinto das contradições
Das emoções
Das paixões...
Montanha-russa de mim...
Sobe, desce, navega, mergulha
Mar adentro nas minhas reticências...
Eu, barco, sigo com a tua correnteza
Beleza...
Praia deserta nua crua...
Maresia nos pés, te invade e chega ao coração
Sol que arde no peito
Aquece teu rosto
Incendeia minha pele...
Labirinto de sensações
Sentidos, ouvidos, táteis, impalpáveis, miragem...
Nas areias do deserto
Te espero...
Transforma-te pessoa, aqui , na minha frente
Olho no olho, a boca, suplicando
Sussurra em teu ouvido
Um verso silencioso , molhado ( coração acelera...)
Entendes?
É pra sentir, deixar invadir
Vou te roubar pra mim
Nesse intante dos meus versos...
Frases que jogo no muro
Pichadas em tons de amor
Muro de concreto e dor
De beijos ardentes contra a parede
Te joga... me joga... e sente...
Parar ?
Não quero parar com esse labirinto
Quero te prender no segundo do meu relógio
Tic tac ... tac tic ... tic tac
Quebrou...
Sem hora marcada
Senhora marcada de amor...
Entre quatro paredes
Dois corpos ardendo,
Um só desejo
Luz de luar,
Outdoor de neon
Cama de prata
Aqui fomos parar..
Quem ?
Tu , eu
Não vamos encontrar mais a saída
Labirinto quando é bom,
É pra se perder ...
Pra enlouquecer de tanto querer ...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DAS CONTRADIÇÕES - II


Morrer de lonjura,
vivendo tão perto.
O perto de ti,
que afoga em mim.
O longe de ti,
tão perto - te toma completo.
Afasta, então, do abraço, o perto
Do beijo virou nuvem.
Estrela interposta, no céu da boca.
Tu longe - naufrágio.
Tu perto - és ilha.
Não palpo, não sinto
Me foges da visão.
O que é isso que dizem: distância
Dois portos separados
E nada entre eles
Não entendo
Torna-se mar adentro.
Mar ardendo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

DEIXE IR






Difícil decisão

Mais difícil ainda a coragem de ir em frente

De desescravizar a paixão

Mandar embora o futuro que não veio

Desaparecer com a saudade do que não existirá

Quando se dá conta, não tem volta.

Não por conta própria,

Mas por desejo do destino.

Da sorte dos dados lançados.

Quando se lança no ar, o vento muda a direção:

Sorte que voa do mundo ilusório

Pra realidade irreal.

Foge dos dedos, como água que escorre.

Então: deixe ir.

Deixe partir, deixe viver.

Que vá com o amor na bagagem.

Que encontre a paz pra dividir.

Veja o amor partindo

De forma que te liberte...

Porque amor que não tens, não fica.

Precisa ir. Precisa voar, se lançar.

Fique com a alegria de ter buscado.

Fique com a sensação de dever cumprido:

Se não por completo, ao menos tentado.

Deixe ir, deixe!

Te liberta.

Te encontra com a essência que tens.

Enche o peito de energia

Inspira a luz

E expira essa luz pra que ela alcance

A todos que te cercam.

Enche de amor à tua volta

Porque tu te ama!

Espalha cor ao teu redor.

Paz interior, aura iluminada.

Sê assim!

Então, entenda:

Deixe ir!



terça-feira, 9 de novembro de 2010

PRAZERES



Um sorriso de criança
Um pássaro cantando nas árvores

Um balão voando no céu
Um formato diferente na nuvem
Um raio de sol por entre frestas da janela

Um bom dia com voz rouca, no ouvido

Um olhar que diz mil coisas

Um silêncio que te arrepia

Um carinho no rosto

Um toque intenso no corpo

Um abraço apertado

Um beijo incandescente
Um gargalhar que vem do nada

Um gemido no quarto escuro

Um minuto de êxtase intenso

Um momento de paz
do gozo
Um adormecer na magia do amor

Um despertar cheio de energia

Um novo dia

Um novo amanhecer

Um até logo cheio de espera
Um dia de chuva, sinfonia

Um som de melancolia

Um canto que se escuta sozinho

Um conto que escreve à mão
Um poema que te faz suspirar

Um verso que te deixa extravazar
Um suspiro na nuca
Um arrepio súbito
Um beijo roubado

Um tapete macio

Um andar descalço na grama

Um caminhar na areia morna

Um mar verde a perder de vista

Um céu azul de viver

Um, uns, tanto, tantos, tantas, sensações

Um só coração.


domingo, 7 de novembro de 2010

NA PRATELEIRA


Amor não se encontra em nenhuma prateleira ... nenhuma.
Amor, carinho, afeto, amizade....
Tudo só se encontra em fórmula original.
Genéricos não existem.
Não podemos aceitar um amor incompleto, sem registro, genérico.
Eu não aceito. Não quero assim.
Também não sei amar pela metade, amar sem me doar.
Não sei.
Ficar na prateleira de alguém, em algum lugar ... quero não, obrigada.
Assim como também não quero guardar ninguém desse jeito.
Na prateleira guardo meus livros, meus cds, meus porta-retratos, meus bichinhos de pelúcia.
A única opção que quero pra mim é a exclusividade, em se tratando de amor.
Amor verdadeiro.
Amor que liberta, que faz a felicidade do ser amado.
Nos traz alegria o sorriso e a realização do outro.
Amar completo, amar de corpo e alma.
Também quero oferecer exclusividade, sem parcimônia.
Com muita certeza e intensidade.
Reciprocidade - irrestrita, com entrega.
Isso que desejo.
Sim, eu sonho. E muito..
Mas sei que isso é possível, sem dúvida.
Pode ser meio utópico, eu sei.
Afinal, quando nos apaixonamos ( a bendita e avassaladora paixão ) nos tornamos suscetíveis a ir visitar uma prateleira ou outra...
Já estive em preteleiras, já coloquei algumas pessoas lá.
Mas não quero isso pra mim.
E sigo nesta jornada.
Eterna busca minha.
Te encontrar, onde estiveres ...
E sei que não estás em nenhuma prateleira ...

( pode parecer piegas, mas é tão verdadeiro )




sábado, 6 de novembro de 2010

TEIMOSIA


E quando é não, é não mesmo?? ....

É que é criança, insiste em ser teimosa.

Teimosia pode ser insistência de coração que não para de bater.

Coração bate , acelera, e a vontade não cessa.

Insiste e permanece.

É teimosia que não acaba.

Acho bom insistir em bater, o coração.

Teimoso em amar vive pra sempre de sonhar.

Uma hora dessas, acorda.

Vive de amar e não se arrepende de teimar...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CHUVA DE MIM ...












OUÇA AQUI ===> A SINFONIA DA CHUVA ;)


http://www.rainymood.com/



Mas eu gosto de chuva. Gosto.
Que lave e que leve a alma agoniada.
Gosto de sentir os pingos a me beijar.
Me renova.
Queria dançar e cantar na chuva!
Música linda essa, da natureza: chuva canta. Ouça.
A melodia que ela produz varia: intensa, suave, reconfortante, arrebatadora.
A chuva tem um pouco de mim.
E eu tenho um tanto dela: ela muitas vezes chora em mim, me invade.
Chuva de mim...
Shhhhh: escuta o som - pingos, batem na janela...
Água que corre, na calçada.
Trovões vez por outra... pra dar um certo suspense...
Que coisa linda, essa sinfonia de água desaguando,
Queda livre nas árvores, nos telhados, na grama, nas flores
No chão nosso...
Me encharco nessa sintonia, leve, intensa.
Me embriago, me enterneço.
Danço e balanço ao som irresistível do chorinho dos céus...
Então, re-seco.
Daí penso: vamos ali, chuva, de encontro ao sol...
Vamos nos colorir de arco-íris.
Chuva é teimosa! Teimosia de menina!
Pego-a pela mão (escorregadia...) e levo-a comigo, assim mesmo.
Vamos ver aquele passageiro e lindo amigo.
E se o arco-íris é rápido, se esconde, é porque ele é tímido.
Tímido de tanta beleza.
Em arcos de adeus ele se esvai...
Despeço-me da chuva: raio-me de sol.
Todo dia, nova manhã.
Hoje vou nascer solar.





quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CONTRADIÇÃO



É quando o corpo vai pra um lado e a alma vai pro outro.
Quando quero ir, mas volto de imediato.

Quando esqueço de sentir, e em seguida avassala-me o coração.

Quando estás aqui dentro e, súbito, vais embora.

Quando o olhar se fecha, mas a lembrança grita.

Quando a voz cala e o coração palpita.

Quando o longe que estou parece tão perto.

Quando estás perto e, mesmo assim, tão longe.

Quando tudo simplifica, logo se torna a mais confusa questão.

Quando tudo é sol, e aqui dentro muito chove.

Quando tens minha mão, mas torna-te impalpável.

Quando beijo tua face e quero fugir.

Quando penso fugir, mas só quero beijar-te.

Quando quero ser criança, mas desejo-te homem.

Quando a lua me oferece as estrelas, e quero raiar-me sol.

Quando o sol aquece meu corpo, e quero me esconder na escuridão.

Contradição , do contra, a edição contrária, contra-edito.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ANTENA PARANÓICA



Essa coisa de sintonia... Não é fácil.

O rádio muda a estação sem a nossa vontade.

Queremos voltar , mas nem sempre é possível.

Um dia essa estação sai do ar.

Ou pode ficar tocando na mente pra sempre.

Independe de vontade.

Vontade, aliás, é coisa doida.

Muda, também, o tempo todo.

Acho que é problema de interferência nas ondas do rádio.

Radinho de pílha. Às vezes fica fraca.

Para. Tem que trocar.

Troca, destroca, coloca de novo.

Isso é confusão que não acaba.

Ainda mais pra cabeça de doido...

Antena fica paranóica.

Desparabolizei... acho que inventei...

Azar, também gosto de inventar.

Os pássaros voam perto. Pousam. Interferência.

Começa a chover ?

Raios, trovejam, relampejam. Interferência.

O coração bate descompassado?

Taquicardia, minha filha....Interferência.

Sensibilidade à flor da pele, te cutucando: Interferência.

Todo dia, toda hora, a cada minuto, todo ano.

Tudo vai variando. Mundo rodopia e antena não capta.

Gira mais devagar, mundinho meu...

A antena é fraca, o coração não aguenta. Desnorteia.

E a antena, paranóica.

Raios!

domingo, 31 de outubro de 2010

BRINDEMOS


“Errar é humano”, não me engano.

E permito perdoar-me; não quero ser carrasco de mim mesmo.

Sou passível de dúvidas, de incertezas, de enganos...

Sim, sou refém de minhas vontades e paixões

Mas também sei acordar, na hora que preciso for

Mesmo querendo para sempre me perder

Nos braços dessa devastadora ilusão

Se me dessem a chave dos desejos

Poderia para sempre te viver

Ter teus beijos e teus abraços a me querer

Pensamento teu, me tomar conta

Ter minha vida em tuas mãos...

Mas não morro de sofrer, se não o for

Vida não é pra controlar

É preciso saber caminhar

Vou em frente, mesmo que sinta falta

Mesmo querendo te (re)conhecer

Saber-te mais do que foi possível no breve instante

Do dia que em ti esbarrei...

Um dia, uma semana, um ano

Tudo bem

Vamos ali, no bar

Bebemorar à vida ...


À amizade , ao laço fraterno


Da poesia que nos une


Da sede de sentir a imensidão das palavras


Vamos beber , sim, ao mundo ,


Às pessoas, ao eterno não saber.


Vamos fazer um brinde:


Brindemos a tudo que nos faz aprender.


Eu quero viver!


TIM-TIM!!!

( UM PARÊNTESE )


NÃO CONSIGO DEIXAR DE POSTAR ESSA MARAVILHA... OBRIGADA POR COMPARTILHAR, DU !


SARAH KANE - CRAVE ( ÂNSIA )


sábado, 30 de outubro de 2010

ENTRELINHAS



Não preciso ser direta
Em alguns textos que escrevo
Gosto tanto de incitar tua visão
De testar tua imaginação
Te fazer voar...
E eu,
Me entrego à poesia
Mas isso não significa que tenhas
Que me entender, me decifrar
Basta que leia nas entrelinhas
Minhas bem ( ou mau ) traçadas linhas
Duvido muito do que quero dizer
Às vezes me surpreendo com o final
Quando no início apenas quero cantar
E me vejo dançando e te chamando
Pra nos meus versos penetrar ...
Não te acanhes, venha
Vamos permitir nosso momento
De entrega às palavras, ao vento
Devaneios
Desajustes
Devassados
Desnorteados
Quero estar na janela do teu quarto
E à noite
Chegar junto com a lua
Nua e crua
Em teus sonhos adentrar
Vamos , vem comigo ...
Te levo pela mão rumo ao céu
Flutuando na imensidão
Pra cama macia das nuvens
Cantando em teus ouvidos
A canção que te enfeitiça
Como o canto da sereia
E da fada maldita
Minha voz assim :
Embriagada de desejo e de volúpia
Eis que o verso tomou-me as mãos
Tirou-me o senso (veja!)
Fez-me escrava,
E aqui me entrego ...
Tens o livre arbítrio de escolher
Em tua mente, em teu querer
O ápice destes versos embriagantes...
Te deixo interpretar
O que quiseres
O que vires e encaixares
O que tiveres vontade de palpar
E colocar em tuas mãos...
Te entrego agora, neste momento,
As delícias e as malícias
Contidas neste espaço
Nas macias curvas alvas
Das minhas suaves entrelinhas ...







quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O POETA SE CALA


Há tempos em que a palavra se esconde
Brincando com o poeta
Num ( in ) voluntário jogo de criança.
O paradeiro do verso é a estrada
Viajando pra reencontrar seu amor
A poesia que tanto sente falta.
Mas quando a poesia decide repousar
É como menina que precisa de colo
De uma canção de ninar
Pra descansar
Se acalmar
As mazelas apagar
E depois voltar revigorada
Saudável e corada
Água potável pra beber
Alimento pra alma aquecer
Pros braços fortalecer
Pro amor renascer
Das cinzas da solidão
Da imensidão da escuridão
Que o poeta se encontrava.

O silêncio muito que é necessário
Não há como negar
Pra que possa um simples ruído escutar
Um sussurro sentir
A respiração ofegar
O coração palpitar

Poeta, cala-te, se preciso for...
Porém volte logo
Tua ausência é sofrida
Sentida
Palpada
Tua falta é imensa
Não pense que não
A poesia te ama,
Poeta
E os versos habitam teu ser
Precisam de ti pra viver
E também pra morrer...

Então cala-te só um pouquinho
E volta de mansinho
Enche essa folha de sentimentos
De momentos
De lamentos
De contentamentos
Porque sem ti
O mundo perde a cor
A vida fica sem sentido
A flor nasce sem frescor
Volta, poeta, volta...
Pros braços do teu poema
Que de ti sobrevive
Cada vez mais tomado de amor
De paixão infinita
E de imenso querer.

OBS: Este texto foi inspirado pela bela poesia de Cristiano Siqueira : "Amor além dos poemas de amor(XX - o poeta está cansado)"
http://www.poetacristianosiqueira.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AQUELES MARES




Saudade daqueles mares tranquilos, serenos...
Daquela praia paradisíaca, daquela areia macia
Onde acariciávamos e aquecíamos os pés
Eu e tu: nossos, de corpo e alma...
Deixavá-mos pegadas pra trás,
E seguíamos juntos à frente...
Ao encontro dos nossos sonhos
Lembra-te daquelas pedras em que escalávamos
E, depois de muito andar, encontrávamos um recanto
As ondas beijando com força as pedras,
Eu feliz feito criança,
brincando de pular ondas
Os cabelos voando aos sabores do vento
Tu me olhavas, intenso ...
E olhavamos juntos pro céu azul...
Deitados sobre as pedras, sol quente na pele
Aquecendo o desejo ...
Gaivotas voavam no céu
Acenando pro nosso amor
Me lembro claramente da cena
Queríamos ficar naquele instante pra sempre
Paz ... céu ... sol .... amor ...
E, subitamente ...
Nada mais importava:
Beijos quentes, ardentes
Natureza aflorando nas veias
Braços e corpos entrelaçados
Respirações ofegantes, afagos...
Juntos voamos rumo ao prazer infinito
Daquele instante...
Momento marcante, daqueles que ficam
Pra sempre na memória
A nossa história
Guardada naquele lugar paradisíaco
E nos nossos corações
Aqueles mares
Nossos andares
Todos os prazeres
Em um só tempo
Mar....areia...vento
Beijos...sussurros...tormentos...
Eternizando
Na minha pele
Na tua boca
No nosso gozo
Completo deleite
Nunca esquecerei
Aqueles dias
E os luares
As maravilhas
D'Aqueles mares...

( lembranças... )

OBS: fotos - arquivo pessoal.




segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SOU DO VENTO


Não venha querer me prender
Nas amarras de tua verdade
Nas barreiras de tua vontade
Eu sou assim, não adianta
Tenho minhas verdades
Minhas incertezas
Minhas vontades
Não queira me ditar regras
Me impor condições
O verdadeiro amor nos faz livres
Pra voar e retornar ao ninho
Liberdade que falo é a que prende
Sem imposições, só ao amor
Essa é minha visão, meu jeito de ser
Não venha querer me prender!
Me entrego ao amor verdadeiro
Quando tiver a certeza e sentir
Mas tenho o meu tempo,
Meu relógio
Não me venha impor tua hora
Não sou do teu agora
Tenho minha liberdade pra escolher
Na hora que eu quiser
Assim como tu também.
Sou minha, sou do vento!
Sou do amor que me preencher
No momento e na hora certa
Não me venha com essas palavras
Do teu dicionário incompleto
Sou do jeito que sou:
Posso mudar de idéia
Na hora que precisar
Eu escrevo e falo o que penso e sinto
Não minto
Não peço perdão pelo que digo
Porque essa sou eu
Sou de verdade
Minha essência é sinceridade
Não me peça pra mudar quem eu sou.
Sigo a minha estrada
Se é a mesma tua,
Não sei.
Não lamento:
Sou de lua, sou da vida,
Sou do vento!




domingo, 24 de outubro de 2010

ELE QUE ME CARREGUE

E o que dizer do coração?
Eu tenho medo dele.
Ele tem vida própria.
Não me conhece mais.
Isso se um dia o fez...
Tanto faz.
Ele bate no ritmo dele.
To nem aí. To nem ali.
Tu tá aqui.

Tanto faz .
Eu to ali. Tu tá aqui.
Não. Tu tá lá.
Fazer o quê. É assim a vida.
Numa avenida, porém, tudo pode mudar.
E muda.
Desejo meu: mudar o teu.
O vento muda de direção.
As palavras entram no coração.
O beijo não sai da memória.
A vida que faz sua estória.
O olhar é de esperança . o meu.
O olhar é de distância. o teu.

Tudo bem. Tudo ruim. tanto faz.

Se a chuva esconder minha lágrima.
E o sol iluminar teu sorriso.
Me faz alegre te ver feliz.
Me deixa triste não saber.
O que fazer.
Mas tanto faz. ou muito faz.
Sem escolher, se vai.
A estrada segue.
Não há quem negue: desapego fere.

Mas a vida muda.

Ou nós mudamos.
Sempre.

Riachos mudam os caminhos.
Pássaros voam sem direção.
O coração é burro demais da conta.
Mas ele sabe como é.
Ou não.
Tanto faz. Sei lá.
O juízo é doido.

Foge da gente
Brinca de esconder.
Mesmo sem querer.
Não sei se um dia vou achar.
De novo, o tal juízo.
Deixa ele escondido.
Quero mais é ser feliz.
E te ver sorrir.
O coração é bicho safado.
Escorre do nosso querer.
Impalpável, assim como você.
O coração é burro.
E eu que o carregue.
Mas estou viva. E sinto.
Muito.
Agora deixo, então.
O coração que me carregue.

DEVANEIOS


ELA bebeu
ELE esqueceu
ELA viajou
ELE gargalhou
ELA maluca
ELE encanto
ELA poesia
ELE palavra
ELA dúvida
ELE certeza
ELA sonhando
ELE acordado
ELA ataque
ELE defesa
ELA bebida
ELE vida
ELA olhava
ELE falava
ELA pirada
ELE tranquilo
ELA chegou
ELE partiu
ELA dançou
ELE dormiu
ELA cega
ELE presente
ELA falou
ELE pensou
ELA redoma
ELE redemoinho
ELA pranto
ELE espanto
ELA paixão
ELE introspecção
ELA molhada
ELE seco
ELA choveu
ELE guarda-chuva
ELA desenhou
ELE apagou
ELA eternizou
ELE fumou.