Versos Que Não Fiz

domingo, 17 de outubro de 2010

MEU CADERNO


É que meus textos são breves, suaves.
Gosto de sussurrar nos ouvidos do meu caderno.
Escrevo com o peso de uma pluma.
Sabe assim: leve e certeiro, procuro o alvo.
O papel em que escrevo levita - essa é a cena que vislumbro.
Voa como uma pomba branca
À espera de palavras que o preencham de cor e de amor.
O caderno vira flor, vira borboleta, vira arco-íris.
Tudo que se puder imaginar
Lá vai estar...
Montanhas altas , mares azuis, céus estrelados
Meu caderno é imenso, é intenso e tudo comporta.
Abre sua porta
Entra nele como num filme encantado.
Uma fábula.
Usa a imaginação, que pra ela sobra espaço
no meu caderno...
Os braços dele são longos, muito podem alcançar,
no intervalo de um abraço
Seus ouvidos adoram músicas e vibram com estórias criativas.
E ele caminha, ele tem pernas, o meu caderno.
Quando está cansado, faz um beiçinho,
Entao o carrego como a uma criança...
Porque ele não me cansa!
Meu amigo e companheiro, de todas as horas.
De horas insone, de horas desperta
De horas e horas sonhando acordada.
Tudo isso ele abriga em suas folhas, com alegria.
Eu e meu caderno: amigos eternos.
E torno a escrever , quando abro suas páginas
Encho de versos, de ilusões, de paixões e de dissabores.
Porque também a decepção ele aceita.
Eu disse, a amizade é verdadeira: alegrias e tristezas compartilhamos.
Eu e meu caderno.







sábado, 16 de outubro de 2010

ESTRELA CADENTE


Costurando as estrelas cadentes ?
Porque daí, teus desejos ficariam pra sempre contigo.
Falando nisso, a estrela cadente me intriga.
Porque se joga assim, tão de repente , mesmo sabendo-se tão desejada ?
Ou será que ela nem sonha que é alvo
de tantos desejos, tantos murmúrios, tantos louvores?
Bom, pelo menos ela é linda e intensa e imensa, enquanto vive ...
E depois, pra onde ela vai ?
Viaja pra nossa imaginação, creio eu ...
Pelo menos pra minha ela vai ... linda ... brilhante
Realizar meus pedidos ...
E a estrela voa de coração em coração
De alma pra alma...
Escutando preces, pedidos, súplicas...
Imagino-a anotando cada um deles...
( espero que ela não seja esquecida, assim, como eu,
que não troque os desejos de ninguém... )
Depois se jogando em cada olhar que a espera.
Ela vive e morre toda vez...
E fico, então, preocupada
Com a pobre estrelinha cadente
Quão cansada deve estar nesse momento...nessa noite
De ser tão solicitada, tão desejada
Mas essa é sua missão
No céu e na Terra :
A de nos encher de esperança
Do sonho realizado nos buscar.




AMOR PLATÔNICO SE TRANSFORMA


Mas existe o amor platônico.
Que é amor solitário, amor de uma via, uma mão só.
É, então, amor verdadeiro ?
É verdadeiro porque é sentido, vivido.
Mesmo que seja em sonho, vem do peito, dá nó na garganta.
Não é o ideal. É unilateral.
Uma entrega, às vezes, fatal.
Bom mesmo é o amor dividido, sentimento repartido, de dupla via, que vem e que vai.
Que completa dois corações.

Dois corações completos, repletos, tornam-se um só.
Isso é o amor verdadeiro, de razão de viver.
De enlouquecer. De enternecer.
Voar com duas asas, em uma só direção, com uma só intenção: Viver de amor e de paz.
Sonhar o mesmo sonho, sem querer acordar,
e, no final, entender que acordados o mundo é ainda mais pleno e bonito.
É amor infinito.
Juntos a força se multiplica, o desejo se soma, o medo se divide , a tristeza se subtrai.
O Amor só eterniza.
Os caminhos encurtam, as vias se abrem, os mares acalmam, os ventos sussurram. Juntos.
A natureza agradece, ao amor: tudo floresce, tudo se colore, tudo se perfuma , se enche de vida.
E os céus nos dizem: Amem-se, humanos. Amantes, se entreguem. Deixem a lua guia-los, as estrelas iluminá-los, os anjos abençoar-lhes.
E então, os antigos amantes platônicos se encontraram.
E viveram a mais bela historia de encontro de corpo e alma, de sonho realizado.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AMOR IMORTAL


Você sempre volta,
Eu sei ...

Não adianta disfarçar
Deixar o tempo passar
O coração camuflar
A quem queres enganar ?

Nem pense em fugir
Tentar se distrair
Em outros braços partir
O que queres sentir ?

Pra que esse sofrer
Se a mim queres ter
Se teu corpo abriga meu ser
E de nada vale esquecer ?

Teu destino é me amar
Tua boca me beijar
Tua mão me tocar
Teu corpo no meu habitar..

Você sempre volta,
Eu sei...

Somos pra sempre um do outro
Imortais almas amantes
Corpos que morrem se sonhando
Olhos que nunca se perdem
Cheiros que se misturam
Pra originar o néctar sagrado
Desse nosso amor errante...
Errante que é o ideal,
O imortal, O irracional,
sentimental , monumental

Esse amor.

Você sempre volta,
Eu sei....

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

FUTURO DO PRESENTE


Nunca te vi e sempre te amei. Pra sempre.
Pra sempre te busquei, no passado
do futuro do presente.

O presente desse instante

Do eterno sentimento que me invade.

Desde nunca mais te tirarei do pensamento.
Pra sempre o infinito aconteceu.

O futuro que busquei no passado
é hoje o presente eterno.

Efêmera é apenas a idéia
de pensar não te amar.

Não sei mais não sentir.

Um instante, um minuto, um segundo.

Uma vida se vive assim.

O eterno é interno e tão terno.

Terno. Interno. Tenro. Tenso.
Intenso. Tensão. Tesão.

Com você no pensamento.

Nos ouvidos. No coração.

Sem ilusão: o eterno é o agora.

É intenso e imenso.
Agora.

Te tenho agora pra sempre 

No futuro do meu presente.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SEREIA


Sem sintonia , ela ia
pra onde , só Deus sabia...
que caminho incerto
essa menina traçava
com suas tranças
suas andanças
navegava em mares
voava nos ares
pulava dos andares
sem direção
que nada!
flutuava na areia
puro sangue nas veias
entremeada na teia
teia... areia.... veia...
meia... ceia.... inteira

ela era sereia ...
e nadava nos mares
naufragava amores...
se encontrava nas dores
se escondia nas flores
e vivia sem cores...
na busca do querer
tecer amanhecer
viver e morrer
renascer das cinzas
cruzar as linhas da vida
horizonte outrora perdido
agora a sereia
corre na areia
vira menina
nasce outra vez ...
e assim passa os dias
correndo pelos jardins
a menina-sereia
que agora brinca
de ser criança

com suas tranças
se faz rapunzel
e nenhum outro amor
ela irá naufragar
quando ao mar voltar...
porque ao renascer

lua nova
se fez
se fez borboleta

a ninfeta do amo
r
viveu tão intensa
se fez sempre imensa
pequena que foi
a lua na areia

anunciava a sereia
de novo no mar
e ela foi se afastando
e de novo , nadando
nesse mar que era seu
nada mais a detia,
destemida
ela ia
de volta ao seu lar
alcançar seu infinito
adentrar sua alma
sua sede de amar


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

DANÇANDO COM O SILÊNCIO


E o poder do silêncio é infinito..
É de total força
Uma força que nos faz entender da forma mais intensa.
O silêncio nos alimenta a alma.
E nos faz bradar com o coração.
O coração que entende o silêncio e suas entrelinhas...
Muita coisa se diz, no silêncio.
O silêncio nunca cala.
É ... o silêncio gosta de vestir-se de belas palavras, vez por outra ...
Palavras delicadas... que emolduram o seu corpo sinuoso....
Agora ele está com cores...
A cor depende de quem o vislumbra...
Cada um veste seu silêncio da maneira que quer.
E assim, na calada da noite , o silêncio se insinua e dança uma bela melodia,
Vestido com lindos véus , pra minha surpresa...
E eu danço com ele....
Essa música que me encanta.
E a cena, é linda: o Silêncio, com belos véus, me levando com ele...
Me visto de sons
Ele me faz deslizar com seus movimentos cheios de malícia
Uma delícia
Essa dança
E vamos juntos noite a fora,
Emoldurados pelas estrelas,
Dançando e echendo o vazio de sons, movimentos,
Do corpo, dos véus coloridos
Balançando ao vento
Me transformo, nos transformamos, em um só
Um corpo despido, dançando no quarto escuro,
Iluminado apenas pelo que vem da janela, pela lua e as estrelas
E danço, agora, com os véus...
Os véus são meus, fazem parte de meu corpo
Ao sabor dos ventos...
E tudo se torna uma mágica canção
Que vêm de dentro, do coração
Canto pra celebrar a alegria que me invade
E a dança com o silêncio
Me traz de encontro às palavras, ao mundo, à vida.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

COMO NASCEU A ALEGRIA




RUBEM ALVES


Você pode não acreditar, mas é verdade: muitos anos atrás a terra era um jardim maravilhoso. É que os anjos, ajudados pelos elefantes, regavam tudo, com regadores cheios de água que eles tiravam das nuvens. Esta era a sua primeira tarefa, todo dia. Se esquecessem, todas as plantas morreriam, secas, estorricadas... Para que isso não acontecesse, Deus chamou o galo e lhe disse:
- Galo, logo que o sol aparecer, bem cedinho, trate de cantar bem alto para que os anjos e os elefantes acordem...
E é por isto que, ainda hoje, os galos cantam de manhã...

Flores havia aos milhares. Todas eram lindas. Mas, infelizmente, todas elas eram igualmente vaidosas e cada uma pensava ser a mais bela.
E, exibindo as suas pétalas, umas para as outras, elas se perguntavam, sem parar:
- Não sou a mais linda de todas?
Até pareciam a madrasta da Branca de Neve. Por causa da vaidade, nenhuma delas ouvia o que as outras diziam e nem percebiam que todas eram igualmente belas.
Por isso, todas ficavam sem resposta.
E eram, assim, belas e infelizes.
No meio de tanta beleza infeliz, entretanto, certo dia uma coisa inesperada aconteceu. Uma florinha, que estava crescendo dentro de um botão, e que deveria ser igualmente bela e infeliz, cortou uma de suas pétalas num espinho, ao nascer. A florinha nem ligou e vivia muito feliz com sua pétala partida. Ela não doía. Era uma pétala macia. Era amiga.

Até que ela começou a notar que as outras flores a olhavam com olhos espantados. E percebeu, então, que era diferente.
- Por que é que as outras flores me olham assim, papai, com tanto espanto, olhos tão fixos na minha pétala...?
- Por que será? Que é que você acha?, perguntou o pai.

Na verdade, ele bem sabia de tudo. Mas ele não queria dizer. Queria que a florinha tivesse coragem para olhar para as vaidosas e amar a sua pétala.

- Acho que é porque eu sou meio esquisita..., a florinha respondeu.

E ela foi ficando triste, triste... Não por causa da sua pétala rachada, mas por causa dos olhos das outras flores.

- Já estou cansada de explicar. Eu nasci assim... Mas elas perguntam, perguntam, perguntam...

Até que ela chorou.
Coisa que nunca tinha acontecido com as flores belas e infelizes.
A terra levou um susto quando sentiu o pingo de uma lágrima quente, porque as outras flores não choravam.
E ela chamou a árvore e lhe contou baixinho:
- A florinha está chorando.
E a terra chorou também.


A árvore chamou os pássaros e lhes contou o que estava acontecendo. E, enquanto falava, foi murchando, esticando seus galhos num longo lamento, e continua a chorar até hoje, à beira dos rios e dos lagos, aquela árvore triste que tem o nome de chorão. E das pontas dos seus galhos correram as lágrimas que se transformaram num fiozinho de água...

Os pássaros voaram até as nuvens.
- Nuvens, a florinha está chorando.

E choraram lágrimas que se transformaram em pingos de chuva...
As nuvens choraram também, juntando-se aos pássaros numa chuva enorme, choro do céu.
As lágrimas das nuvens molharam as camisolas dos anjinhos que brincavam no céu macio. E quiseram saber o que estava acontecendo. E quando souberam que a florinha estava chorando, choraram também...

E Deus, que era uma flor, começou a chorar também.
E a sua dor foi tão grande que, devagarinho, como se fosse espinho, ela foi cortando uma de suas pétalas.

E Deus ficou tal e qual a florinha.

E aquele choro todo, da terra, das árvores, dos pássaros, dos anjos, de Deus, virou chuva, como nunca havia caído.
O sol, sempre amigo e brincalhão, não agüentou ver tanta tristeza. Chorou também. E a sua boca triste virou o arco-íris...

E as chuvas viraram rios e os rios viraram mares. Nos rios nasceram peixes pequenos. Nos mares apareceram os peixes grandes.
A florinha abriu os olhos e se espantou com todo aquele reboliço. Nunca pensou que fosse tão querida. E a sua tristeza foi virando, lá dentro, uma espécie de cócega no coração, e sua boca se entortou para cima, num riso gostoso...

E foi então que aconteceu o milagre.
As flores belas e infelizes não tinham perfume, porque nunca riam. Quando a florinha sorriu, pela primeira vez, o perfume bom da flor apareceu. O perfume é o sorriso da flor.
E o perfume foi chamando bichos e mais bichos...
Vieram as abelhas... Vieram os beija-flores... Vieram as borboletas... Vieram as crianças. Um a um, beijaram a única flor perfumada, a flor que sabia sorrir. E sentiram, pela primeira vez, que a florinha, lá dentro do seu sorriso, era doce, virava mel...

Esta é a estória do nascimento da alegria.

De como a tristeza saiu do choro, do choro surgiu o riso e o riso virou perfume.
A florinha não se esqueceu de sua pétala partida. Só que, deste dia em diante, ela não mais sofria ao olhar para ela, mas a agradava, como boa amiga.
Quanto aos regadores dos anjos, nunca mais foram usados.
De vez em quando, olhando para as nuvens, a gente vê um deles, guardado lá dentro, já velho e coberto de teias de aranha... Enquanto a florinha de pétala partida estiver neste mundo, a chuva continuará a cair e o brinquedo de roda em volta do seu sorriso e do seu perfume não terá fim...



( Achei tão lindo que precisei postar isso aqui no Blog . Obrigada, querida Bruna Crespo !!!! )...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

FELICIDADE


FELICIDADE CHEGA ASSIM
COMO UM VENDAVAL
TE ESCABELA
TE ENCHE DE AR
TE FAZ DELIRAR
DE TANTO SORRIR
DE TANTO SENTIR
TE ENLOUQUECE
AO MESMO TEMPO QUE TRAZ
PAZ
PLENITUDE
INFINITO
AMOR
FRESCOR
SABOR DE LICOR
SABOR DE CHOCOLATE
SABOR QUE TE MATE
DE TANTO QUERER
DE TANTO TREMER
DE TANTO PULSAR
DE TANTO FLUTUAR
TE FAZ PÁSSARO
TE FAZ FLOR
TE FAZ VOAR
TE FAZ AMOR...

FELICIDADE TE INVADE
SEM PEDIR LICENÇA
SEM EXPLICAÇÃO
COM PURA PAIXÃO
COM ESPERANÇA
TE FAZ CRIANÇA
TE ENSINA A VIVER!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PRIMAVEREI


E a primavera me inspira
Como se os pólens entrassem por meus poros
Percorressem minhas veias
E me transformassem na mais colorida flor.

E eu refloresço na manhã mais ensolarada
Aguardando as borboletas que me visitam...
E contam seus causos, suas aventuras
São criaturas cheias de segredos, as borboletas...

Sugam do meu néctar
Levam-me sabe-se lá pra onde...
Mas me deixo levar
Pelos ventos suaves da primavera...

Desse modo, descubro que floresci
E que me espalho pelo mundo...
Virei pura natureza,
Me transformei:
PRIMAVEREI!

Nunca imaginei-me assim, tão flor...
Assim com essas pétalas, e esse frescor
O perfume suave que me invade
E de mim transborda, ao sabor do vento.


Psssssiu , veja .... lá vêm as borboletas
Me espalhar pra todo canto
Me enchendo de alegria
E do mais suave encanto!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SILÊNCIOS


Sou feita de silêncios...
Que me acompanham com a marcante presença
De palavras não ditas, não ouvidas...
Mas o não falado é mais forte
O não escutado, se torna retumbante
Nesse coração tão sofrido...

Sou movida a silêncios...
Que me perseguem tal qual vendaval
Ecoam em meus tímpanos...
Com músicas de força brutal...
( sim... na maioria das vezes, suave como só...)

E o silêncio me cai bem...
O observar, me atrai..
O mundo passando à minha frente
Como um filme assim... cinema mudo

O silêncio muito que vale
Tal qual ouro bruto
Quando insiste o velho peito
A sentir a saudade desse mundo...

Meu silêncio me acalenta
Me protege, me ampara
Das armadilhas dessa vida
Dos amores que me dóem...

Mas, no final, o silêncio se vai
Dando lugar à música que vem d'alma
E me percorre todo corpo
Me faz flutuar com o vento..

Nas lembranças e delícias de você...



sábado, 11 de setembro de 2010

IMPERFEIÇÕES


Eu não quero perfeição.
Gosto das particularidades e surpresas das imperfeições.
Gosto das descobertas, dos encontros, da imaginação.
Legal conhecer o outro lado, o lado verdade. O lado humano.
Isso, pra mim, é o ideal.
Principalmente quando há uma mútua entrega, uma mútua doação, das limitações.
Tudo sempre certinho, bem vestidinho, penteadinho.... prefiro a bagunça do mal-acabado. De pegar desprevinido. De ser surpreendido.
Aliás, nada melhor do que ser surpreendido: é como reaprender a cada dia a pessoa amada.
É como abrir diariamente a janela, e ver a cada amanhecer a mesma paisagem, mas com cores diferentes. Novas e belas nuances.
E é assim que eu quero amar. Assim que quero ser amada.
Por todos os seres, a todos os seres.
Meu mundo vive renascendo, sendo repintado...
Como uma grande tela inacabada,
uma obra impressionista, que impressiona e se surpreende.
Vivo para a intensidade! Não quero nada morno, sem sal.
Quero o colorido, o céu azul, o sol, a lua!
Assim que quero viver...
Sempre aprendendo.
Com as surpresas das imperfeições.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

MARIANA






MARIANA

Menina-anjo
Anjo em forma de gente
Gente em forma de flor
Ela irradia e transborda amor

Quando sorri o mundo para
Pra apreciar aquele espetáculo
Da pureza transformada em pessoa
Do amor vestido de criança

Seus olhinhos refletem a paz
A essência do mais belo do ser humano
A inocência do amor sem barreiras
Que enfeitiça todos que a observam

Menininha de simpatia nata
Da alegria de viver
O verdadeiro milagre da vida
Esse seu jeitinho meigo de ser

Mariana menina Mariana
Mariana, criança abençoada
Que Deus nos presenteou com generosidade
Tu és o mais belo dos presentes,
Como diz teu nome: A Graça Divina.


OBS: pra quem não sabe, a amada Mariana é minha afilhadinha, filha de minha irmã Viviane, e a luz de nossos dias!

domingo, 22 de agosto de 2010

Algumas Palavras



Algumas Palavras

A garota gostava de conversar.
Gostava muito de contar e ouvir histórias ( mais ainda - estórias). Conversava com seus gatos ( eles a olhavam com tanto amor e atenção ) e eles sempre a entendiam e respondiam. Seus miados eram como carinhos aos ouvidos da moça. Havia uma relação de entrega, de amor sem interesse a não ser a reciprocidade do sentimento. E eles sabiam e sentiam que eram como que um pedaço dela.
Ela gostava de conversar com o espelho. O espelho, que refletia aquela imagem tão familiar, lhe dizia tanto, com seu olhar. E ela prestava atenção ao seu silêncio... O silêncio, a compreensão, a respiração, o piscar de olhos. O espelho também entendia ( como ela achava isso estranho...). Seria possível entendê-la? Mas o não entender faz parte.
Ela gostava demais de conversar com seus livros, com seus bichinhos de pelúcia, com seus próprios pensamentos. É. Ela conversava com seus pensamentos e lembranças.
Amava estar ali, em seu cantinho, seu apartamento, seu quarto, seu mundo, ouvindo suas músicas, entrando de alma naquela atmosfera tão sua.
A garota adorava sonhar, lembrar daquelas paisagens e lugares maravilhosos que conhecera e, mais ainda, amava sonhar com os lugares que irá conhecer, com as ruas que irá passar, com os prédios, castelos, catedrais, igrejas, museus, jardins, céus azuis e terras macias com jardins maravilhosos que irá conhecer. O sonho sempre tem grandes chances de se realizar - ela sempre soube disso.
Essa garota gosta de escrever, de inventar letrinhas nas páginas em branco. Mas assim, sem compromisso, sem ordem definida, sem metria, sem linearidade.
A liberdade se manifesta muito bem nessas horas. Escrever ao relento, no embalo das ondas, nas asas da imaginação. É como o vôo de um pássaro que parte num repente, sobrevoa, e mais tarde pousa. Sem compromisso com o compromisso.
É assim que ela é , assim, sem muitas definições. Mas com muita intensidade, muita paixão, muita entrega.
Na verdade, a sua entrega é para a sua alma, seus desejos, suas crenças, e, claro, pro amor verdadeiro. Sua entrega é para a VIDA.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando Você Crescer


Este texto foi, se não me engano, o primeiro que escrevi ( não que tenha escrito tantos assim, mas, enfim ... rsrs ), há mais de 10 anos , acho. Pode parecer um tanto infantil, mas não é... fala muito sobre mim, sobre os caminhos e sonhos que tive desde criança, ao tentar imaginar o que seria quendo "crescesse". Espero que um dia ainda cresça de verdade.....ops, peraí....tão bom ser uma eterna criança, uma eterna apaixonada pelo aprendizado, pelas descobertas...Eis aqui uma ETERNA CRIANÇA confessa!!!

Beijos a todos amigos queridos!


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QUANDO VOCÊ CRESCER

- E você, menina, o que quer ser quando crescer ?

- Precisa dizer ? Ah ! Eu quero ser muitas coisas...
Cada vez que penso ( e por que será que me fazem sempre essa pergunta?), alguma coisa muda.
Quero ser professora. Professora de criança assim, bem pequenininha. Pra ensinar a ler, a escrever e a desenhar. Mas precisa também ensinar a sonhar... Não! Hoje quero ser um agente secreto! Descobrir um mundo por detrás do que é aparente. Seguir aquela senhora que todo dia leva flores a algum lugar, mas onde? Ah.... Flores! Quero é ser jardineira! Pra plantar flores e colher alegrias. E sempre regar, regar, regar e vê-las crescer... e sorrir! E as árvores que um dia plantarei crescerão e darão saborosos frutos e uma sombra suave, para quem souber apreciar sua companhia... Hum...mas agora, pensando bem, quero ser astronauta! Porque o céu atrai meu olhar como se me chamasse... E as estrelas me contam segredos à noite ( desculpe, não posso revelá-los)... E a lua?? Ahhh....essa é minha grande amiga! Prometi que irei visitá-la e deixar um pouco do perfume dos jasmins que planto em casa. E contarei alguns dos meus segredos ( ela garantiu que saberá guardá-los, também). Enfim...qualquer coisa que eu seja, farei com o coração e escutarei minha intuição...

E essa menina acabou se tornando doutora... quis cuidar das pessoas, ajudá-las, pra que pudessem ter saúde , força e alegria suficientes para sonhar...sonhar...sonhar... assim como ela pra sempre o fez!

( FB )

sexta-feira, 9 de julho de 2010

À AMIZADE

À AMIZADE

A verdadeira amizade é um alimento pr'alma
É uma canção de ninar
Um aconchego sem fim
Uma ponte ao encontro da paz
A mais bela e indispensável flor do jardim

A amizade verdadeira não vê barreiras
Não obedece a limites
Segue adiante, sem fronteiras
De mãos dadas com o tempo
Porque dele torna-se aliado estrada afora

A distância ela desconhece:
O pensamento e a alma dos amigos
Juntos percorrem a vida
E seus percalços, suas dores, suas vitórias
Em todas as etapas da existência

Mesmo sem se ver os amigos por vasto tempo
A amizade perdura no ninho
Não enfraqueçe o laço doce e forte
Não adormecem o amor e carinho
Que a verdadeira amizade conhece!

( FB )












Esta maravilhosa música que segue abaixo me foi apresentada pela minha querida Lilian Trigo, que vem me presenteando com seu vasto conhecimento cultural e musical. Obrigada, amiga!




L'amitie - Françoise Hardy


Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois


TRADUÇÃO


Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
Com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens,
E a fidelidade dos pássaros migradores.
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.

Então, vêm se aquecer comigo,
e você também virá.

Poderá retornar às nuvens,
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura,
Quando alguem quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama.




Este post eu dedico a todos aqueles que me dão o privilégio de sua verdadeira amizade, e estes sabem bem quem são.
Mas permito-me citar dois nomes mais que especiais: Luciane Pontes e Patrícia Tobo.
AMO VOCÊS!!!!!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

AMAR... E SÓ...


Eu não sou egoísta, mas eu quero um amor assim:
Eu dito as regras, e você as aceita, tim tim por tim tim.
( Ah, eu quero um amor só pra mim )
Claro que nesse amor, seus desejos serão satisfeitos.
Mas apenas por mim...
Queres, mesmo, meu amor?
Então aceite meu eterno não saber quem sou...
Se quiseres me entender, de forma razoavelmente confiável, esqueça.
Uma encarnação não seria suficiente.
Talvez nem mesmo a eternidade.
Se me queres, não compreender é fundamental.
Apenas sinta.
Sou puro sentimento, movimento, mutação.
Sou coração.
Se te quero, é porque sinto.
Mas não esqueça: só pra mim
Tim tim por tim tim.


( FB )

domingo, 4 de julho de 2010

O DESPERTAR


Ecoa em si o suave som da alma.
Do céu, a Lua ilumina o quarto escuro.
Nessa mágica cena, do sonho desperta.
E vive a noite mais intensa de sua existência...
Noite em que o sonho a leva ao mundo real.

E o que é real, mesmo? ( ela sempre questiona )
Real é sentimento, é movimento, é emoção, é coração.
Real é o amor, que é impalpável, inspirador.
E ela resolve se aninhar nos braços dele, nesse calor sem fim.

Do sonho guardou a vontade de ser o mais belo dos jardins.
Da janela do quarto a Lua acenou,
Mostrando que seu despertar fora certeiro.
A hora de viver o mais intenso sentimento chegara.

Olhou nos olhos dele, tocou seu rosto.
O sorriso confirmando o futuro que se anunciava.
Mais presente do que nunca.
E eterno por toda sua duração.

( FB )

ETERNA BUSCA


Dentro de mim há tanto, há tantas, há tintas, que pintam uma aquarela de emoções distintas, porém entrelaçadas. Num laço demasiado complexo.

Sem nexo, mistério. Minha alma me esconde um segredo. Desvendá-lo me faz viver e viver, buscar e buscar.

A busca segue, desenfreada. Caminhos se acertam, caminhos se perdem. Mas sempre avante, sempre no compasso.

Quero novos ares, novas flores, novas cores, novos horizontes. Só vive intensamente quem ultrapassa suas dores.

Dores cessam, feridas cicatrizam. Amores se transformam, amores se reformam. E a vida segue, em busca de surpresas que elevem a alma. Calma.

Calma, até que encontres o desassossego. O tormento, o mar revolto. As ondas que te virem ao avesso. A paixão que te sufoque e te embriague.

Mas a busca segue até o supremo, até o AMOR maior. O amor que ultrapasse barreiras, maremotos, furacões.

E o barco chega , enfim, em águas calmas e límpidas. Lindas, pacíficas, protetoras.

E o AMOR te invade e te eleva aos céus, onde a Lua te espera com braços abertos.

Não temas, não temas! se a Lua te chama, aceites....ela sabe o que é o amor. Tem olhos brilhantes e sagazes, tudo vê. Te entrega...

( FB )

quinta-feira, 1 de julho de 2010

VIVER NÃO DÓI

VIVER NÃO DOI


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

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Amigos, não tenho certeza da autoria desse texto , mas chegou a mim como sendo de Drummond. Quem souber, me confirme a autoria ?

Ando sem escrever, eu sei. Mas espero em breve ( muito em breve ) voltar a escrever alguns versos - me faz falta!! Por enquanto, posto textos que me tocam.

Beijos no coração!!!